
Em meio a uma escalada de tensões na América do Sul, o líder da Casa Branca, Donald Trump, anunciou que as forças norte-americanas aniquilaram depósitos de entorpecentes em solo venezuelano durante a semana anterior. Apesar da gravidade da declaração, o republicano não forneceu minúcias técnicas sobre a investida. Caso o fato seja ratificado, o episódio representaria a incursão terrestre inaugural dos Estados Unidos na nação vizinha desde o início das manobras bélicas na região caribenha.
Durante um diálogo mantido na última sexta-feira (26) com o empresário e aliado John Catsimatidis, na rádio WABC, Trump afirmou que Washington havia "destruído" bases de narcotráfico na Venezuela.
"Não sei se você leu ou viu, mas eles têm uma grande instalação, uma grande instalação de onde saem os barcos, e há duas noites nós a destruímos", detalhou o mandatário via telefone.
Ao ser confrontado novamente na segunda-feira (29) acerca da ofensiva, Trump reforçou:
"Houve uma grande explosão na área do cais onde as drogas são carregadas nos navios. Então atacamos todos os navios e agora estamos atacando a área. É uma área de operações. É onde eles operam. E isso não existe mais."
Embora o nome da Venezuela não tenha sido citado nominalmente na entrevista radiofônica, fontes governamentais ouvidas pelo The New York Times ratificaram que o alvo era, de fato, um complexo de refino no país de Nicolás Maduro. Até o momento, o Pentágono, a CIA e o alto escalão da Casa Branca permanecem em silêncio, assim como o governo venezuelano, que não reportou ataques externos.
A movimentação faz parte de um cerco naval sem precedentes, liderado pelo porta-aviões nuclear Gerald R. Ford. Nos meses recentes, dezenas de embarcações foram afundadas sob a justificativa de transporte ilícito, embora sem evidências públicas. Tais ações resultaram em mais de cem óbitos, gerando críticas de juristas que as classificam como assassinatos arbitrários e ilegais.
A estratégia de Washington, inicialmente focada no combate às drogas, redirecionou seu eixo para o estrangulamento econômico da gestão Maduro. Trump determinou um bloqueio integral a petroleiros sancionados, resultando na captura de navios como o Skipper e o Centuries.
Sobre o impacto humanitário e os números da operação, o presidente defendeu sua postura com dados questionados por especialistas:
"Cada vez que destruo um navio, salvo 25 mil vidas americanas", declarou, alegando ainda uma queda de "97,2%" no tráfico para os EUA, sem apresentar bases estatísticas.
Ao ser questionado sobre o futuro do petróleo caso ocorra uma troca de poder, Trump vinculou a crise à imigração e à segurança nacional:
"É sobre muitas coisas. É sobre isso. Eles tomaram nosso petróleo, tiraram de nós, mas também enviaram milhões de pessoas de lá, de suas prisões, para o nosso país — algumas das piores pessoas da Terra."
A ofensiva aérea e naval deve preceder, segundo o próprio governante, uma etapa de combates em terra. Essa agressividade é sustentada pela inclusão do "Cartel de los Soles" — suposta organização liderada pela cúpula de Maduro — na lista de grupos terroristas dos EUA, chancela que amplia legalmente o poder de fogo norte-americano para intervenções diretas.