
As autoridades pernambucanas iniciaram os interrogatórios com 14 indivíduos suspeitos de participarem do ataque brutal a dois visitantes em Porto de Galinhas, ocorrido no último sábado (27) após um desentendimento com vendedores locais. O grupo já foi devidamente fichado e consta formalmente no processo investigativo da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).
Diante da repercussão, a Secretaria de Defesa Social (SDS) convocou uma cúpula com entidades estaduais e da prefeitura para traçar táticas que coíbam novas hostilidades no balneário. A PCPE confirmou que “as oitivas foram iniciadas”.
Segundo Beatriz Leite, delegada-geral adjunta da instituição:
“As investigações seguem pela delegacia local, com apoio de equipe da Diretoria Integrada Especializada (Diresp), que esteve na localidade coletando imagens e levando pessoas que estavam no local para prestarem depoimento. As investigações serão presididas pela Delegacia de Porto de Galinhas, até que se chegue a autoria e as pessoas que tiverem participado dos fatos sejam indiciadas”.
As vítimas, o preparador físico Johnny Andrade e seu parceiro Cleiton Zanatta, oriundos do Mato Grosso, desfrutavam do litoral quando a confusão eclodiu por causa de divergências financeiras. Ao tentarem quitar o aluguel do mobiliário de praia, os turistas notaram que a cifra exigida era praticamente cem por cento superior à acordada.
A recusa em pagar o valor abusivo desencadeou a fúria de um comerciante, que lançou um assento contra os rapazes. O ato serviu de estopim para que outros barraqueiros se unissem ao linchamento. Johnny e Cleiton afirmaram que, no momento do desespero, não encontraram policiamento na área e pretendem acionar judicialmente o município e o estado.
A cooperação entre o setor de inteligência da SDS e a Polícia Civil permitiu localizar os agressores e estabeleceu um novo protocolo de ordem para a região. Entre as metas anunciadas para sanear o comércio praiano e combater abusos de ambulantes e guardadores de carros, destacam-se:
“Cadastramento, padronização e fiscalização dos barraqueiros; enfrentamento aos abusos cometidos por flanelinhas; suporte ao turismo em situações relacionadas ao comércio local; ampliação do plantão da Polícia Civil durante o mês de janeiro de 2026; e a intensificação de operações integradas entre a Polícia Militar, Guarda Municipal, Controle Urbano e Procon, com foco nas práticas irregulares e na prevenção de crimes”.
Além de exigir a formalização dos trabalhadores, o estado prometeu agir contra a reserva indevida de vagas públicas para lucro privado. A polícia reiterou que o casal foi prontamente atendido na delegacia após o crime e assegurou que o efetivo será robustecido, com a Guarda Municipal de Ipojuca intensificando a vigilância diretamente na orla.