Presidente interina da Venezuela pede soltura de Maduro: “Não há guerra, fomos agredidos”

Delcy vislumbra que a soberania da Venezuela está ameaçada, mas menciona que “o mundo está se mobilizando” a favor de Maduro

07/01/2026 às 12h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Delcy Rodríguez - Reprodução: PEDRO MATTEY / AFP
Delcy Rodríguez - Reprodução: PEDRO MATTEY / AFP

Em um cenário de extrema tensão geopolítica, a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou publicamente que o país não se encontra em um conflito bélico com Washington. Segundo a líder, o que ocorre é uma vitimização da nação frente a ofensivas que ela define como violações das normas globais. Durante pronunciamento nessa última terça-feira (6), Delcy buscou equilibrar um discurso de conciliação com Donald Trump e a firme exigência pela soltura de Nicolás Maduro e de sua companheira, Cilia Flores.

Em suas palavras: “Aqui não há guerra, porque nós não estamos em guerra, nós somos um povo e um país de paz, que fomos agredidos e fomos atacados. Todo o povo de Venezuela, em união nacional, vamos todos nos manter firmes, de pé, e, sobretudo, trabalhando por nosso futuro e trabalhando por defender nossa história e nossa dignidade”.

A destituição no poder central ocorreu após o último sábado (3), quando unidades militares dos EUA detiveram o casal presidencial venezuelano. Ambos foram transferidos para Nova York, onde enfrentam o tribunal sob graves acusações de liderar, por duas décadas, um esquema de narcotráfico para escoar entorpecentes rumo ao território norte-americano.

A lista de indiciados pela justiça dos EUA estende-se a figuras do alto escalão chavista, como:

  • Diosdado Cabello (Ministro do Interior);

  • Nicolás Maduro Guerra (filho de Maduro);

  • Outros assessores e aliados próximos do círculo governamental.

Os crimes imputados — narcoterrorismo e lavagem de capitais — carregam sentenças que variam de duas décadas de reclusão à prisão perpétua. Maduro nega veementemente todas as acusações.

Embora Delcy Rodríguez enxergue uma ameaça direta à autodeterminação venezuelana, ela destacou que o apoio global tem crescido. Ao discursar no Conselho de Segurança da ONU, a presidente interina ressaltou que diversas nações repudiaram a intervenção dos EUA, classificando-a como uma infração aos direitos internacionais e uma ofensiva militar arbitrária.

A tensão aumenta à medida que Donald Trump reivindica uma influência decisiva sobre os rumos políticos de Caracas. Delcy rebateu essa narrativa, enfatizando que “o país não é governado por nenhum ‘agente externo’”.

O Caminho da Sucessão

Seguindo o rito previsto na Carta Magna venezuelana, a ausência do chefe de Estado transferiu automaticamente as responsabilidades para a vice-presidência. Delcy Rodríguez comandará o país por um período inicial de 90 dias, focando na preservação das instituições e na pressão diplomática pela repatriação do antigo líder.

Encerrando sua fala com otimismo político, ela reiterou: “Nós temos a garantia, a segurança e a certeza de que o povo venezuelano saberá construir com paciência, mas com muita determinação e muita lealdade, nós vamos construir o caminho para a paz, garantir a paz e, o mais importante também, garantir a liberação do nosso herói Nicolás Maduro e da nossa heroína Silvia Flores. A Venezuela deve ser liberada”.

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