
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o líder religioso, Silas Malafaia, deverá se manifestar judicialmente sobre ataques verbais direcionados ao chefe do Exército, general Tomás Paiva. A decisão é um desdobramento de uma ação movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa o pastor de calúnia e injúria.
A peça acusatória, protocolada em 18 de dezembro — data imediatamente anterior à pausa das atividades do Judiciário —, fundamenta-se em falas proferidas por Malafaia durante um ato público na Avenida Paulista, ocorrido em abril de 2025.
De acordo com o órgão, o pregador feriu a honra e o respeito institucional do comandante da Força Terrestre. Na ocasião, posicionado sobre um trio elétrico, ele disparou críticas incisivas contra a cúpula militar, embora não tenha individualizado os alvos por nome.
Naquela oportunidade, ele declarou: "Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição".
Com a abertura do processo pelo relator Alexandre de Moraes no dia 20 de dezembro, foi concedido um intervalo de 15 dias para que os advogados do pastor apresentem suas alegações iniciais. Somente após essa etapa o plenário da Suprema Corte avaliará se Malafaia passará à condição de réu.
O protesto que originou a denúncia foi orquestrado pelo ex-presidente, Jair Bolsonaro, visando angariar apoio para a anistia dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Vale ressaltar que o próprio Bolsonaro foi sentenciado a uma pena de 27 anos e três meses de reclusão por arquitetar uma tentativa de golpe, encontrando-se detido em Brasília desde o mês de novembro.
O pastor reagiu com veemência à investida da PGR, negando ter mencionado o general Tomás Paiva diretamente e alegando ser vítima de um perseguição ideológica. Para ele, o episódio configura uma afronta ao direito de opinião.
“O que eu falei na Avenida Paulista, em qualquer nação democrática do mundo, na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, em qualquer lugar, é liberdade de expressão”, defendeu-se o religioso.