
O Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reassume o comando do Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira (12), após um recesso nos Estados Unidos. O retorno marca o início do último ano de seu mandato atual, um período cercado por incógnitas estratégicas, coerções de partidos aliados, reformulações no primeiro escalão e queixas de prefeitos.
Até o começo de abril, Tarcísio precisa solucionar dilemas cruciais, sendo o principal deles a definição do cargo que buscará nas urnas. Embora evite verbalizar ambições pelo Planalto, ele consolidou-se como o favorito da ala conservadora até a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) na pré-disputa. Diante disso, a diretriz interna entre seus conselheiros é “jogar parado”: a candidatura presidencial permanece como uma alternativa estratégica, enquanto o foco principal segue na administração estadual.
A cúpula tarcisista monitora a possibilidade de Flávio declinar da corrida até março. Por ora, o governador desfruta de uma situação estável: ostenta índices positivos de aprovação e surge como o nome a ser batido caso opte pela permanência no estado.
Com o calendário eleitoral batendo à porta — data limite para que ocupantes do Executivo se afastem para concorrer —, o secretariado passa por uma metamorfose. Pastas como Segurança Pública, Políticas para Mulheres e Agricultura já tiveram mudanças. Contudo, a alteração mais impactante ocorrerá em Relações Institucionais:
Gilberto Kassab (PSD): O articulador-mor deixará o posto para se dedicar ao pleito. Kassab, que preside o PSD nacional, não esconde o desejo de liderar a chapa paulista, embora sinalize que sacrificaria nomes como Ratinho Jr. e Eduardo Leite para marchar ao lado de Tarcísio.
Outras baixas: Roberto Lucena (Turismo) e Helena Reis (Esportes) também figuram na lista de possíveis saídas.
A volta do governador é sombreada por atritos com o PP. No apagar das luzes do ano passado, o partido emitiu uma nota contundente ameaçando lançar candidatura própria, ecoando o descontentamento de prefeitos com a gestão estadual. Em sentido oposto, o União Brasil — que negocia uma federação com o próprio PP — reafirmou lealdade ao governador, prometendo mesas de negociação intensas nos próximos dias.