
O ex-deputado, Eduardo Bolsonaro, utilizou suas redes sociais nessa segunda-feira (12) para traçar um paralelo entre a prisão de seu pai, o antigo presidente Jair Bolsonaro, e o de Nicolás Maduro, líder venezuelano destituído e detido por forças norte-americanas no começo de 2026.
Em uma gravação divulgada no X, Eduardo expressou-se em língua inglesa, manifestando, de forma irônica, ter "inveja de Maduro" ao observar o espaço de circulação destinado ao político vizinho. "Hoje, meu pai vive em um lugar que tem, não sei, cerca de 30 metros quadrados e está ouvindo o dia inteiro, todos os dias, esse barulho que vem do ar-condicionado", declarou.
Jair Bolsonaro encontra-se detido na sede da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre uma sentença de mais de 27 anos por articulação de golpe de Estado. Recentemente, seus advogados questionaram a salubridade do local, afirmando que o ambiente prejudica o descanso e a recuperação física do ex-presidente.
Em resposta enviada ao STF, a Polícia Federal explicou as limitações técnicas do edifício:
Inviabilidade técnica: A corporação alegou que "não é possível eliminar ou reduzir significativamente esse ruído por meio de medidas simples, ou pontuais".
Complexidade: Eventuais reformas demandariam "ações complexas de infraestrutura" e a "paralisação total do sistema de climatização por período prolongado".
Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos há cerca de um ano, também demonstrou indignação com o suporte médico oferecido ao pai. Ele relatou um incidente doméstico no cárcere, afirmando que "quando você pensa que algo pode acontecer com o Maduro, com certeza ele receberá a assistência médica adequada. Meu pai, durante a noite, caiu e bateu a cabeça em algum lugar, e as pessoas só souberam que algo tinha acontecido no dia seguinte".
O filho do ex-presidente direcionou suas críticas mais severas ao rito de autorização para emergências, apontando um tratamento diferenciado:
"Meu pai é o único que precisa de autorização de um ministro do STF, Alexandre de Moraes, para ir a um hospital. Qualquer outro preso no Brasil pode ir e receber atendimento de urgência a qualquer momento, em qualquer lugar", protestou.
Ao finalizar seu desabafo, Eduardo questionou o regime político brasileiro atual: "Esse é o tipo de ditadura que estamos vivendo no Brasil. Às vezes as pessoas dizem: 'Coitado do Maduro', 'soberania da Venezuela'. Vamos lá, eu estou falando do Brasil. Como você chama um sistema que faz coisas assim como estão fazendo com o meu pai? Democracia? Tem certeza? Pense duas vezes".