
A fila de espera no Instituto Nacional do Seguro Social atingiu um volume recorde em novembro de 2025, somando 2,96 milhões de processos sem resposta. O indicador marca um distanciamento da meta estabelecida por Luiz Inácio Lula da Silva durante a corrida eleitoral, quando o presidente se comprometeu a extinguir a espera por benefícios previdenciários.
Desde o início da atual gestão, o contingente de pedidos acumulados saltou 171,8%. Para efeito de comparação, o governo de Jair Bolsonaro encerrou seu ciclo em dezembro de 2022 com 1,09 milhão de brasileiros aguardando uma decisão do órgão.
Aproximadamente um terço do total de pedidos — cerca de 933 mil casos — envolve o Benefício de Prestação Continuada. Voltado a idosos de baixa renda e cidadãos com deficiência, o BPC tem sido alvo de frequentes disputas judiciais, o que onera significativamente o Tesouro Nacional.
O montante acumulado hoje supera em 45,5% o antigo recorde negativo do órgão, verificado em janeiro de 2020, quando 2,03 milhões de protocolos aguardavam análise pouco antes do início da crise sanitária global.
Buscando reverter o cenário crítico, o INSS formalizou, nessa última terça-feira (14), uma nova normativa que reintroduz compensações financeiras para a força de trabalho. Através do Programa de Gerenciamento de Benefícios, os servidores que excederem suas cotas diárias de produtividade serão remunerados com uma gratificação de R$ 68 por cada processo concluído além da meta.
Gilberto Waller Junior, atual presidente do órgão, apontou que o tempo de resposta varia drasticamente dependendo do endereço do segurado. Enquanto moradores de São Paulo ou do Sul costumam ser atendidos em até 45 dias, o tempo de espera no Nordeste pode se estender por 188 dias.
A solução proposta envolve o remanejamento digital: funcionários lotados em áreas com fluxo normalizado assumirão demandas de regiões saturadas. Além disso, serão implementadas filas técnicas especializadas para acelerar concessões recorrentes, como:
Salário-maternidade;
Aposentadoria por idade;
Revisão de critérios de renda do BPC.
Ao longo de 2022 e 2023, o discurso oficial de Lula focava na digitalização e em novos concursos públicos como chaves para solucionar o impasse. Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência que se afastou do posto em maio devido a suspeitas de irregularidades em aposentadorias, chegou a matizar as expectativas, admitindo que zerar a fila era uma tarefa árdua, mas que o objetivo era atingir a média de 45 dias para o atendimento.
A situação foi severamente prejudicada pela greve nacional iniciada em julho de 2024. O movimento, que durou cerca de quatro meses, buscava valorização salarial e melhorias estruturais. A interrupção parcial dos serviços até novembro daquele ano gerou um efeito "bola de neve", culminando no maior congestionamento administrativo da história do INSS.