
Parlamentares que fazem oposição à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva acionaram a Suprema Corte para solicitar restrições severas contra o primogênito do presidente, Fábio Luís Lula da Silva. O grupo defende que o Judiciário imponha o monitoramento por tornozeleira e confisque o documento de viagem do empresário, sustentando que existe uma ameaça real de fuga do país.
A iniciativa tornou-se pública nessa última terça-feira (13) pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que atua na liderança da Minoria. A petição, endereçada ao ministro André Mendonça e ao chefe da PGR, Paulo Gonet, carrega o apoio de nomes de peso como Rogério Marinho, Eduardo Girão e Alfredo Gaspar — este último à frente da relatoria da comissão que investiga irregularidades previdenciárias.
De acordo com van Hattem, a urgência das medidas cautelares se deve à dinâmica recente de Fábio Luís, que estaria morando na Europa. O parlamentar sugere que a breve passagem dele pelo Brasil poderia ser o prelúdio de uma partida definitiva para evitar o alcance da justiça.
“Protocolamos um pedido para que o ministro André Mendonça avalie a colocação de tornozeleira eletrônica e a retenção do passaporte, diante da possibilidade de saída do país”, declarou o parlamentar.
O texto protocolado conecta o filho do presidente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura central em investigações sobre desvios na Previdência. Os opositores citam denúncias de que o herdeiro petista seria beneficiário de um repasse mensal de R$ 300 mil. Além disso, mencionam o caso de Roberta Luchsinger, que já usa tornozeleira eletrônica e teria usado códigos como “filho do rapaz” para tratar de transferências financeiras.
A equipe jurídica de Fábio Luís, liderada por Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, rebateu as acusações prontamente. Ele esclareceu que o cliente reside legalmente na Espanha com seus familiares desde meados de 2025 e que sua vinda ao território brasileiro teve caráter exclusivamente comemorativo pelo final de ano.
“O pedido da oposição é um esforço criativo, juridicamente frágil e sem fundamento”, afirmou o advogado.
Carvalho destacou ainda que seu cliente sequer é formalmente investigado pelas autoridades policiais.
“Não há investigação em curso contra ele. Falta técnica jurídica e sobra má-fé”, disse.
Em um movimento ainda mais drástico, o advogado Jeffrey Chiquini também enviou ao STF um requerimento pleiteando a detenção preventiva de Lulinha. Chiquini, conhecido por defender o ex-assessor bolsonarista Filipe Martins, alega que sua petição possui base técnica robusta e não se confunde com suas outras frentes de atuação profissional.
O Supremo Tribunal Federal não emitiu nenhum despacho sobre os pedidos de prisão ou de cautelares até o momento de produção desta matéria.