
O presidente norte-americano Donald Trump expressou entusiasmo nessa última quinta-feira (15) diante da atitude da expoente oposicionista venezuelana, María Corina Machado, que lhe entregou de maneira simbólica sua condecoração do Prêmio Nobel da Paz. O encontro ocorreu na sede do governo em Washington, e a gestão republicana sinalizou a intenção de manter o artefato, apesar de o Comitê Nobel ter esclarecido que a titularidade da honraria é intransferível.
Após o diálogo reservado, a política venezuelana confirmou ter "oferecido" sua insígnia a Trump. Em entrevista à rede Fox News, ela declarou: "Ele merece. Foi um momento muito emocionante". Posteriormente, uma imagem oficial foi divulgada mostrando o presidente segurando um quadro dourado com a medalha.
A legenda da fotografia descreveu o ato como um "símbolo pessoal de gratidão, em nome do povo venezuelano", justificando a entrega "em gratidão por sua extraordinária liderança na promoção da paz por meio da força".
Em sua rede social, Truth Social, Trump celebrou: "Maria me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que tenho feito. Que gesto magnífico de respeito mútuo. Obrigado, María!".
O Centro Nobel da Paz, situado em Oslo, interveio para pontuar que, embora o objeto físico possa circular, "uma medalha pode mudar de mãos, mas não o título de laureado".
O almoço de aproximadamente duas horas ocorreu de forma privada. A relação entre ambos, contudo, já teve momentos de tensão: anteriormente, Trump chegou a dizer que Machado não era "adequada" para comandar a nação sul-americana após a detenção de Nicolás Maduro nos EUA.
Machado, que precisou sair clandestinamente de sua terra natal para receber o prêmio na Noruega em dezembro, afirmou ter dito ao presidente que "os venezuelanos querem viver livres, com dignidade e justiça", ressaltando que "para isso, precisamos de democracia".
Enquanto Machado busca espaço, Trump teceu louvores à presidente interina, Delcy Rodríguez, classificando-a como uma "pessoa fantástica". Rodríguez já sinalizou uma "reforma parcial" nas regulamentações do petróleo, setor que Washington agora busca coordenar diretamente.
No atual cenário, a Casa Branca prefere "ditar" o rumo da liderança em Caracas em vez de promover novos pleitos eleitorais imediatos. Karoline Leavitt, porta-voz do governo, descreveu Machado como "verdadeiramente uma voz distinta e corajosa para muitos venezuelanos".
A pressão econômica sobre o país continua com a apreensão de petroleiros no Caribe e a primeira comercialização de óleo sob controle americano, totalizando US$ 500 milhões.
A Venezuela detém o maior volume de reservas globais, superando gigantes como a Arábia Saudita. No entanto, o desafio de Trump é atrair investimentos para uma infraestrutura debilitada por décadas de má administração, que viu a produtividade despencar drasticamente.