
O goleiro Bruninho Samudio, de 15 anos, contestou a versão apresentada pelo pai, Bruno Fernandes, sobre o encontro entre os dois que estava marcado e não ocorreu. Segundo o jovem, o ex-atleta não apareceu no local combinado e não apresentou explicações claras.A manifestação foi feita em entrevista à Record TV, horas após Bruno divulgar um comunicado em que afirmou que o encontro seria “um momento importante”, mas teria sido inviabilizado por exigências da família do filho e por orientação jurídica.
De acordo com Bruninho, a iniciativa do encontro partiu do pai e vinha sendo tratada havia anos. Após conversar com familiares, o jovem aceitou ouvir a versão de Bruno sobre o passado. Local e horário foram definidos, em um hotel, mas a reunião não aconteceu.“Ele vem há muito tempo me procurando. Depois de conversar com minha família, decidimos marcar uma reunião para ouvi-lo. Ele não apareceu e depois falou que fomos nós que o procuramos”, disse o goleiro.
O atleta afirmou ainda que Bruno manteve contato por mensagens ao longo de mais de três anos. Quando o encontro foi confirmado, segundo ele, o pai recuou sem aviso prévio e passou a atribuir a terceiros a responsabilidade pelo cancelamento. Além de rebater a narrativa, Bruninho anunciou que pretende cobrar judicialmente valores de pensão alimentícia. Segundo o adolescente, a dívida está acumulada há quatro anos. “Eu tentei dar a ele o direito de falar. Agora eu quero o meu direito, que são os quatro anos de pensão que ele me deve”, afirmou.
A defesa de Bruno Fernandes sustenta que o encontro teria sido articulado com outros interesses. A advogada Mariana Migliorini afirmou que a reunião seria usada para a gravação de uma reportagem, informação que, segundo ela, não teria sido repassada ao ex-goleiro.
“Em nenhum momento isso foi dito ao Bruno. Acreditamos que se tratava de uma armadilha para expô-lo e retomar o caso Eliza Samudio”, disse a advogada, que também alegou a existência de uma medida protetiva que impede aproximação sem mediação.
Ainda segundo a defesa, Bruno tenta manter a vida de forma reservada após deixar o sistema prisional e afirma desejar convivência com o filho em condições consideradas seguras. A advogada disse que qualquer encontro presencial precisaria ser mediado e que conversas ocorrem apenas pelas redes sociais.
Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010. A pena foi posteriormente reduzida para 20 anos e nove meses. Ele passou ao regime semiaberto em 2019 e cumpre sanção em liberdade condicional desde 2023. O ex-goleiro retomou a carreira e atualmente defende o Capixaba, do Espírito Santo.