
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta segunda-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ligação, os dois trataram da situação na Venezuela e acertaram uma visita de Lula a Washington nos próximos meses, segundo informou o Palácio do Planalto.
De acordo com nota do governo brasileiro, os presidentes trocaram impressões sobre o cenário venezuelano. Lula destacou a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na região e defendeu iniciativas voltadas ao bem-estar da população do país vizinho.
Foi a primeira conversa entre os dois desde a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na retirada do poder de Nicolás Maduro no início do mês. O líder venezuelano está detido em território norte-americano. Lula já havia condenado publicamente a ação, classificando-a como desrespeitosa e afirmando que a América Latina não deve se submeter à “lei do mais forte”.
Segundo o Planalto, a conversa durou cerca de 50 minutos. Trump também convidou o Brasil a integrar o Conselho da Paz, iniciativa lançada pelos Estados Unidos. Lula, porém, não confirmou adesão. O presidente sugeriu que o órgão se concentre em ações humanitárias e inclua a situação da Faixa de Gaza, com participação da Palestina nos debates.
Fontes da diplomacia brasileira afirmam que o governo avalia o convite com cautela. A preocupação é com a estrutura do conselho, que teria presidência fixa dos EUA e estatuto elaborado de forma unilateral. O Brasil deve pedir esclarecimentos técnicos antes de qualquer decisão.
Durante a ligação, Lula voltou a defender uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas, com a ampliação do Conselho de Segurança, pauta recorrente desde seu primeiro mandato. Os dois presidentes também falaram sobre economia e avaliaram de forma positiva as perspectivas para Brasil e Estados Unidos.
Ainda segundo o Planalto, Trump citou o impacto favorável do crescimento das duas economias para o continente americano. Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação em áreas como combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e congelamento de ativos de grupos criminosos. A proposta foi bem recebida pelo governo norte-americano.