Pais e tio de adolescentes são indiciados por ameaçar testemunhas da morte do cachorro comunitário

Parentes de adolescentes suspeitos de maus-tratos ao cão comunitário são acusados de ameaçar vigilante que poderia colaborar com o inquérito; entenda

27/01/2026 às 15h29
Por: Mateus Pereira Fonte: g1
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Foto: Reprodução | Internet
Foto: Reprodução | Internet

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha durante as investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente assassinado na Praia Brava, uma das regiões mais nobres de Florianópolis. Os indiciados são pais e um tio de quatro adolescentes já identificados como suspeitos do crime de maus-tratos, que também teriam tentado afogar outro cachorro no mar.

Em coletiva realizada na manhã desta terça-feira (27), a Polícia Civil informou que dois dos adultos são empresários e o terceiro é advogado. Os nomes não foram divulgados. Segundo os delegados, a coação teria sido praticada contra o vigilante de um condomínio, que possuía uma imagem considerada relevante para a apuração do caso. Por questões de segurança, ele foi afastado de suas funções.

A corporação explicou que, apesar de não confirmar se teve acesso ao registro específico mencionado, analisa atualmente mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança. No inquérito que apura exclusivamente o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.

De acordo com a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada. Por se tratar de menores de idade, os nomes e idades não foram divulgados, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A investigação foi dividida em duas frentes: um auto de apuração de ato infracional, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), e um inquérito policial para apurar a coação a testemunhas, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), concluído na noite de segunda-feira (26).

As agressões contra Orelha teriam ocorrido no dia 4 de janeiro, mas o caso só chegou oficialmente à polícia no dia 16. Embora não haja imagens do momento exato do espancamento, a delegada Mardjoli Valcareggi afirmou que outros registros da região, aliados a depoimentos de testemunhas, permitiram a identificação dos suspeitos.

Orelha foi brutalmente assassinado por adolescentes em SC (foto: Reprodução | Internet)

Orelha foi encontrado gravemente ferido e agonizando, sendo levado a uma clínica veterinária. No dia 5 de janeiro, o cão precisou ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Exames periciais confirmaram que ele sofreu golpes na cabeça com objeto contundente. O instrumento utilizado não foi localizado.

A polícia também apura a tentativa de afogamento de outro cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia. Imagens mostram adolescentes carregando o animal, e testemunhas relataram que ele teria sido jogado no mar. Orelha era um dos cães comunitários da Praia Brava, onde existem casinhas destinadas aos animais que se tornaram mascotes da região.

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