
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou que a tendência da sigla é expulsar o suplente de deputado estadual Pedro Lobo, detido sob suspeita de importunação sexual no Aeroporto de Juazeiro do Norte, no interior do Ceará.
Em declaração pública, Edinho destacou que a condução do processo caberá ao diretório estadual do partido, respeitando os ritos internos e o direito de defesa do filiado, mas foi enfático ao afirmar que não há tolerância com esse tipo de conduta dentro da legenda.
“A atribuição é do diretório estadual. Penso que vão garantir o direito de defesa, mas, se o fato se caracterizar, a tendência é a expulsão. Assédio é ato de violência, não dá para passar pano. É repugnante”, afirmou o dirigente.
Pedro Lobo foi detido na segunda-feira (2) após uma mulher denunciar ter sido vítima de importunação durante o desembarque de um voo no aeroporto de Juazeiro do Norte. O suplente de deputado foi conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento, e o caso segue sob investigação. As autoridades não divulgaram detalhes adicionais, uma vez que o procedimento corre sob sigilo.
A repercussão do episódio foi imediata dentro do PT. Ainda no dia da detenção, o diretório estadual da sigla no Ceará convocou uma reunião emergencial para avaliar a situação. Ao final do encontro, foi anunciada a suspensão da filiação de Pedro Lobo, medida cautelar adotada enquanto as investigações seguem em andamento.
Em nota pública, o partido reiterou seu posicionamento histórico de combate à violência contra as mulheres e afirmou que tomará todas as providências previstas em seu estatuto caso as denúncias sejam confirmadas. Dirigentes petistas avaliam que a resposta rápida da legenda busca preservar a coerência do discurso político do partido, especialmente em um momento de forte debate nacional sobre o enfrentamento à violência de gênero.
Nos bastidores, integrantes do PT reconhecem que o caso pode gerar desgaste político, sobretudo no âmbito estadual, e defendem uma apuração rigorosa e transparente. A direção nacional reforça que a eventual expulsão do filiado dependerá do desfecho das investigações e da caracterização formal dos fatos, mas sinaliza que episódios dessa natureza são considerados incompatíveis com os princípios da sigla.
O caso segue sob acompanhamento da Polícia Federal e das instâncias partidárias, enquanto o suplente de deputado permanece afastado das atividades políticas até a conclusão do processo interno e das investigações oficiais.