MP Militar pode pedir expulsão de Bolsonaro e outros oficiais condenados pela trama golpista

Representação por indignidade ao oficialato será apresentada ao STM nesta terça-feira (3), na primeira sessão da Corte no ano

03/02/2026 às 11h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Jair Bolsonaro - Reprodução: Ton Molina/STF
Jair Bolsonaro - Reprodução: Ton Molina/STF

Nesta terça-feira (3), a Procuradoria de Justiça Militar (MPM) pretende protocolar junto ao Superior Tribunal Militar (STM) o requerimento para que o antigo presidente, Jair Bolsonaro, e outros quatro integrantes da cúpula militar, sentenciados por participação em plano de ruptura democrática, sejam banidos das fileiras das Forças Armadas.

A legislação prevê que todo oficial penalizado com reclusão acima de 24 meses, em decisão definitiva — seja por infração castrense ou civil —, fica sujeito a responder por condutas consideradas indignas ou desajustadas ao oficialato. Tal rito jurídico pode culminar na cassação da patente e do posto, configurando a exclusão oficial da instituição.

É importante notar que o Tribunal Militar foca exclusivamente na viabilidade ética de manutenção desses quadros na ativa ou reserva. Não ocorre uma nova análise das condenações proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim a averiguação se o crime cometido fere os princípios da carreira.

O processo atinge diretamente o capitão reformado Bolsonaro e um grupo de generais e almirantes que ocuparam cargos estratégicos:

  • Almir Garnier: Antigo chefe da Marinha.

  • Walter Braga Netto: Ex-titular da Defesa e da Casa Civil.

  • Augusto Heleno: Anteriormente à frente do GSI.

  • Paulo Sérgio Nogueira: Ex-ministro da Defesa.

Atualmente, Bolsonaro encontra-se na Papudinha e Heleno sob custódia residencial. Os demais investigados permanecem em dependências militares — uma condição que pode ser alterada caso percam suas prerrogativas de posto, resultando em transferências para presídios comuns.

O esforço para finalizar as peças de expulsão foi liderado por Clauro de Bortolli, procurador-geral da Justiça Militar, que manteve as atividades durante a pausa do Judiciário.

A abertura do ano judiciário de 2026 no STM ocorre hoje. Os protocolos do MPM passarão por sorteio automatizado para definição de relatores e revisores. Não existe uma data limite para que os votos sejam proferidos e, uma vez em discussão aberta, qualquer um dos 15 magistrados tem o poder de interromper o processo através de um pedido de vista.

O caso marca um momento inédito na justiça militar brasileira: é a primeira vez que se avalia a cassação de patentes por delitos que ferem o Estado Democrático de Direito. Adicionalmente, o STM jamais removeu generais condenados de seus quadros históricos.

Entretanto, o retrospecto da Corte sinaliza rigor. Levantamentos indicam que, no período dos últimos oito anos, o tribunal validou 93% das solicitações de expulsão enviadas pelo Ministério Público Militar contra sentenciados.

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