Cão Orelha: Defesa de adolescente contesta investigação e aponta “politização”

Advogados afirmam que inquérito é frágil, contestam provas apresentadas e dizem não ter acesso integral aos autos

04/02/2026 às 11h44
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Redes sociais
Reprodução: Redes sociais

Os advogados de defesa de um dos menores de idade vinculados ao inquérito sobre o falecimento do Cão Orelha vieram a público nessa terça-feira (3), logo após o fechamento das investigações pela Polícia Civil catarinense na Praia Brava. Por intermédio de um documento oficial, os juristas Alexandre Kale e Rodrigo Duarte sustentaram que o cliente foi “indevidamente associado ao caso”, além de apontarem que a apuração policial se mostra “frágil e inconsistente”.

De acordo com o corpo jurídico, as narrativas expostas derivam de “elementos meramente circunstanciais” que, sob sua ótica, não possuem força probatória nem sustentam juízos finais. Eles apontam, inclusive, uma “politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço”, fator que teria exacerbado a revolta social.

“A politização do caso prejudica a verdade, infringe de forma gravíssima os ritos legais e atinge, violentamente e de forma irreparável, pessoas inocentes”, declararam os defensores, enfatizando que buscam a “verdade real” para provar que o jovem não tem participação no crime.

Outra queixa formal diz respeito à transparência: a defesa alega que o bloqueio ao conteúdo total das peças investigativas impede o pleno exercício das garantias constitucionais do acusado.

O destino trágico do Cão Orelha, figura querida na comunidade da Praia Brava, teve início na madrugada de 4 de janeiro. Laudos periciais indicam uma agressão severa no crânio, possivelmente executada por um golpe direto ou instrumento sólido. O animal sucumbiu aos ferimentos em uma unidade veterinária após ser socorrido por moradores locais.

A Estrutura da Investigação

Para desvendar o ocorrido, o Estado mobilizou uma coalizão de segurança que realizou um trabalho minucioso:

  • Monitoramento: Análise de 14 câmeras e mais de 1.000 horas de gravações.

  • Oitivas: Depoimentos de 24 pessoas.

  • Suspeitos: Oito adolescentes sob verificação.

  • Vestimentas: Identificação das roupas usadas no instante da agressão.

Contradições e Desfecho

A autoridade policial destacou discrepâncias no relato do jovem suspeito. O rastreamento indicou sua saída e retorno ao local de hospedagem em horários que conflitam com sua fala inicial. Além disso, houve registro de que ele deixou o país no dia em que a polícia identificou os envolvidos, retornando apenas no fim de janeiro, quando foi abordado no aeroporto.

Ao concluir o processo, sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Polícia Civil solicitou a internação do menor e indiciou três adultos por interferência em testemunhos. O processo também engloba maus-tratos a outro animal, o Cão Caramelo. Agora, a Justiça e o Ministério Público decidirão os próximos passos, enquanto a perícia digital em telefones apreendidos pode consolidar ainda mais o acervo de provas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários