
O cantor Oruam, um dos nomes mais comentados do funk e do trap nacional, voltou ao centro do noticiário — desta vez, por motivos judiciais. Após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o habeas corpus que o mantinha em liberdade, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a retomada de sua prisão preventiva. Desde então, o artista passou a ser considerado foragido, já que não foi localizado para cumprimento da ordem.
A decisão partiu do ministro Joel Ilan Paciornik e foi comunicada ao Tribunal de Justiça do Rio. A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, autorizou a prisão preventiva após avaliar o descumprimento reiterado das medidas cautelares impostas ao rapper, principalmente relacionadas ao monitoramento eletrônico.
Oruam havia deixado a prisão no ano passado após o STJ considerar genéricos os fundamentos da preventiva. Em substituição, a Justiça determinou o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. No entanto, relatórios apontaram falhas frequentes no equipamento, com dezenas de períodos sem sinal ao longo de pouco mais de um mês.
Segundo os autos, o dispositivo apresentou interrupções prolongadas, muitas delas durante a noite e aos fins de semana, horários considerados críticos para a fiscalização. Para o STJ, o padrão dos episódios indicou quebra de confiança e inviabilizou o controle judicial da liberdade concedida.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que a tornozeleira inicial apresentou defeitos técnicos e precisou ser trocada, mas a nova unidade também estaria desligada desde o último fim de semana.
Após a ordem de prisão, Oruam publicou um vídeo antigo nas redes sociais mostrando, segundo ele, falhas no carregamento da tornozeleira. No registro, o equipamento aparece conectado à tomada enquanto a bateria não carregaria. A divulgação ocorreu em meio à intensificação da busca pelo cantor e reacendeu o debate sobre responsabilidade no cumprimento das medidas impostas pela Justiça.
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A defesa sustenta que os problemas ocorreram por lapsos pontuais e que não haveria intenção de fuga. Ainda assim, o ministro relator afirmou que os episódios “extrapolam um mero problema técnico” e demonstram desrespeito à autoridade judicial.
Oruam responde na Justiça por duas tentativas de homicídio qualificadas contra policiais civis, em um episódio ocorrido durante uma operação policial no Rio de Janeiro. O processo segue em tramitação. Para especialistas, o descumprimento das medidas cautelares pesa de forma decisiva contra o investigado.
“A liberdade condicionada exige responsabilidade. Quando há repetição de descumprimentos, o Judiciário entende que outras alternativas já não são suficientes”, explica a advogada criminalista Lorena Pontes, destacando que a prisão preventiva, nesse contexto, busca garantir a aplicação da lei penal e a credibilidade das decisões judiciais.
Até o momento, a defesa do cantor não se pronunciou oficialmente sobre a nova fase do caso. Enquanto isso, o episódio continua repercutindo entre fãs, nas redes sociais e no meio artístico, marcando mais um capítulo delicado na trajetória do rapper fora dos palcos.