
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis (SC), ganhou um novo desdobramento com a identificação de uma tentativa de ocultação de provas físicas. De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), um familiar de um dos adolescentes investigados tentou esconder peças de roupa consideradas fundamentais para o esclarecimento do caso.
O episódio ocorreu no dia 29 de janeiro, quando o adolescente retornava de uma viagem aos Estados Unidos. Durante a abordagem policial no aeroporto, agentes localizaram um boné rosa e um moletom que aparecem em imagens de câmeras de segurança registradas no dia 4 de janeiro data em que Orelha foi brutalmente agredido.
Segundo a polícia, o familiar tentou justificar que o moletom havia sido comprado durante a viagem, em um parque da Disney. No entanto, a versão foi posteriormente contradita pelo próprio adolescente durante depoimento, o que reforçou a suspeita de tentativa de interferência na investigação.
Além dos atos infracionais atribuídos aos adolescentes, a apuração também resultou no indiciamento de três adultos por coação no curso do processo. Entre eles estão o pai e um tio de um dos jovens, acusados de tentar intimidar ou constranger testemunhas que poderiam colaborar com o esclarecimento dos fatos.
Com a conclusão do inquérito relacionado à coação e o pedido de internação de um dos menores envolvidos, o caso agora segue para análise do Poder Judiciário de Santa Catarina. A polícia segue reunindo provas para esclarecer a dinâmica da agressão e responsabilizar todos os envolvidos. A morte de Orelha, que era cuidado por moradores da região, provocou forte comoção e reacendeu o debate sobre violência contra animais e responsabilização penal, inclusive quando há envolvimento de menores de idade.