
Na madrugada desta sexta-feira (6), Marcia Gama, mãe do rapper Oruam, quebrou o silêncio sobre o paradeiro do herdeiro, procurado pelas autoridades desde a semana passada. Através das redes sociais, ela sugeriu que o músico é vítima de uma condenação antecipada devido ao histórico de seu pai, Marcinho VP, liderança do Comando Vermelho que cumpre pena por homicídio e narcotráfico.
Gama expôs o desgaste psicológico do artista e criticou a indiferença alheia perante o sofrimento dele:
“Se eu pudesse gritar para o mundo, diria que há tempos você não está bem. Só você sabe as dores que sente. As marcas, as feridas, a rejeição e o preconceito são visíveis, mas muitos escolhem não ver”.
Para ela, a figura do pai se sobrepõe à identidade do filho no imaginário social e jurídico, gerando um fardo hereditário:
“Antes de enxergarem o rapaz maravilhoso que você é, fazem questão de enxergar o seu pai. Tudo o que você passa não é apenas por causa de uma tornozeleira. É só porque você é filho”.
Embora afirme respeitar as normas vigentes, Marcia questionou a imparcialidade na aplicação das sanções:
“Eu não vou contra a lei. Ela existe e precisa ser cumprida, sim. Mas também sabemos que ela não é aplicada com o mesmo rigor para todos”.
Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, não pretende se colocar à disposição do Judiciário de imediato. A defesa ratificou a decisão de não se apresentar após o ministro Joel Ilan Paciornik, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), indeferir um recurso de habeas corpus. Com a negativa, o benefício da liberdade provisória foi anulado, restaurando a ordem de custódia preventiva.
Cronologia da Busca:
Terça-feira (3): Policiais realizaram buscas em imóveis do rapper na Freguesia, Zona Oeste carioca, mas o cantor já havia fugido.
Motivo da Prisão: A magistrada Tula Melo apontou que o artista ignorou as regras do monitoramento, realizando saídas noturnas proibidas.
A Controvérsia do Dispositivo: Relatórios técnicos acusaram interrupções frequentes no sinal da tornozeleira. Enquanto os advogados sustentam um defeito na bateria, a Secretaria de Administração Penitenciária assegura que o sistema estava operante.