
O cenário jurídico no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o comando da Corte, sob a presidência de Edson Fachin, solicitar que o ministro Dias Toffoli se manifeste acerca de comunicações da Polícia Federal. A confusão surgiu após a extração de dados do celular do empresário, Daniel Vorcaro, cujas mensagens citam o magistrado que, ironicamente, detém a relatoria do processo.
Toffoli, por meio de nota oficial, desqualificou o teor do documento, classificando-o como fruto de "ilações" e argumentando que a entidade solicitante carece de competência legal para tal pleito. Ele garantiu que a "resposta será apresentada pelo ministro ao Presidente da Corte".
Embora a PF não ratifique a autoria do pedido — tarefa que cabe formalmente à PGR ou aos advogados das partes —, Fachin possui autonomia para instaurar o procedimento de ofício. A partir de agora, o rito segue estritamente o regimento interno do Tribunal para avaliar a suspeição — ferramenta que resguarda a neutralidade do Judiciário ao verificar se laços de proximidade ou interesses externos nublam o julgamento do magistrado.
É importante destacar que este não é um novo inquérito criminal contra Toffoli, mas um incidente processual. Confira os possíveis desfechos após a manifestação do relator:
| Cenário | Ação de Fachin | Consequência |
| Rejeição Monocrática | O presidente decide sozinho que o pedido é inepto ou sem provas. | O caso é arquivado e Toffoli segue como relator. |
| Dúvida Jurídica | O tema é levado ao Plenário para votação entre todos os ministros. | A maioria decide o destino da relatoria. |
| Acolhimento da Suspeição | A Corte entende que há comprometimento da isenção. | Toffoli é afastado, um novo sorteio ocorre e decisões anteriores podem ser revistas. |
O STF possui uma tradição de cautela ao afastar seus membros. Em 2025, tentativas similares contra Alexandre de Moraes, sob pretexto de que ele seria "vítima" nos processos sobre atos antidemocráticos, foram barradas pelo então presidente Luís Roberto Barroso, que manteve a estrutura de julgamento intacta.
A polêmica não nasceu hoje. A chegada do caso Master ao Supremo ocorreu por um lance de sorteio após defesas alegarem o envolvimento de parlamentares com foro privilegiado. Contudo, o clima azedou devido a episódios de proximidade social e comercial:
Voo Privado: Revelações sobre uma viagem a Lima em jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore, onde também estava um advogado ligado a investigados da Operação Compliance Zero.
Conexões Imobiliárias: A venda de cotas do Resort Tayayá, que pertenciam a irmãos do ministro, para fundos geridos por Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro e figura central em gestoras sob investigação por fraudes financeiras.
Custos Públicos: Registros de que agentes de segurança do Tribunal passaram mais de 120 dias na região do referido resort, gerando gastos de quase meio milhão de reais em diárias durante períodos de folga e recesso.
Adicionalmente, decisões processuais de Toffoli, como a aceleração de prazos e a escolha de peritos específicos, alimentaram as críticas de setores da oposição e de seus próprios pares na Corte.