Entenda projeto que pode vetar promoção política com verba cultural após homenagem de Lula no Carnaval

Projeto “Cultura Sem Partido” surge após anúncio de enredo da Acadêmicos de Niterói que homenageia Lula no Carnaval de 2026

12/02/2026 às 10h46
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidente Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

O cenário político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi movimentado esta semana pela proposta do parlamentar Thiago Gagliasso (PL). O deputado protocolou um projeto de lei que visa vetar o emprego de verbas estaduais da cultura em atividades que configurem propaganda político-partidária. A medida surge como uma resposta direta à escolha da Acadêmicos de Niterói, que planeja exaltar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile de Carnaval de 2026.

A proposição sugere a fundação da iniciativa estadual “Cultura Sem Partido”. O objetivo central é barrar, de forma categórica, que o tesouro público fluminense subsidie eventos ou obras que exaltem, favoreçam ou construam uma imagem positiva de detentores de mandato, figuras em cargos públicos ou futuros postulantes a cargos eletivos. A intenção do autor é estabelecer um muro entre o apoio governamental às artes e a exploração eleitoral dessas verbas.

O estopim para a discussão foi o anúncio do tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Por se tratar de uma homenagem realizada justamente em um ano de eleições, vozes da oposição levantaram suspeitas sobre a transformação de uma tradição popular em ferramenta política custeada, mesmo que de modo indireto, pelo Estado.

Gagliasso defende que a norma não interfere na autonomia criativa dos artistas. Segundo ele:

“O que está em discussão não é a liberdade artística. O artista pode se expressar como quiser. O que não pode é usar dinheiro público do Estado para promover agente político ou partido. Cultura não pode virar palanque financiado pelo contribuinte”.

A proposta detalha o que seria interpretado como irregularidade:

  • Promoção Político-Partidária: Qualquer apologia ou benefício à imagem de líderes ou legendas utilizando cofres estaduais.

  • Vantagem Política Indevida: O uso de tradições culturais para fabricar ganhos ou danos políticos orquestrados.

Caso o texto se torne lei, as entidades que desrespeitarem as normas enfrentarão punições rigorosas, tais como:

  1. Corte instantâneo de repasses programados.

  2. Restituição total do montante já investido.

  3. Pagamento de multas pesadas.

  4. Proibição de novos contratos com o setor cultural do Estado por até cinco anos.

O projeto agora inicia sua jornada pelas comissões da Alerj. Somente após os pareceres técnicos é que a proposta será submetida ao plenário, onde se espera um embate intenso entre os diferentes blocos partidários sobre as fronteiras do financiamento público cultural.

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