
O xadrez político paranaense sofreu um forte abalo com a sinalização do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admite apoiar Sergio Moro (União-PR) na disputa pelo Palácio Iguaçu. A manobra seria uma retaliação caso o atual governador, Ratinho Jr. (PSD), insista em lançar candidatura ao Planalto. A estratégia inclui até a migração do ex-juiz para o PL, visando contornar os entraves que ele enfrenta em seu partido atual.
O entendimento prévio entre o PL e o PSD paranaense — que previa apoio à sucessão de Ratinho Jr. em troca de uma vaga ao Senado para Filipe Barros — está sob risco de desmoronamento. Os principais envolvidos marcaram uma reunião para depois do Carnaval, após o retorno do governador de um recesso no exterior e de Flávio de uma agenda com lideranças conservadoras globais.
O objetivo de Flávio é consolidar bases regionais que não ofereçam resistência à sua própria projeção nacional. Ao flertar com Moro, o filho do ex-presidente busca enfraquecer a ambição presidencial de Ratinho Jr., forçando-o a permanecer na esfera estadual.
O Governador do Paraná vive uma encruzilhada. Seus assessores relatam oscilações constantes:
Cautela: O temor de ser esmagado pela polarização direta entre as forças de Bolsonaro e Lula (PT).
Otimismo: A crença de que sua baixa rejeição poderia levá-lo a uma vitória em um eventual segundo turno.
Fator Familiar: A influência de seu pai, o apresentador Ratinho, que teme represálias a seus empreendimentos de comunicação em caso de uma campanha presidencial agressiva.
Apesar da alta aprovação de Ratinho Jr., Sergio Moro lidera as pesquisas de opinião, impulsionado pelo legado da Operação Lava Jato. A entrada do PL no jogo — com seu robusto tempo de TV e generoso fundo eleitoral — poderia ser o fiel da balança, especialmente em um estado onde o bolsonarismo já demonstrou força ao alavancar candidaturas independentes, como ocorreu em Curitiba em 2024.
No União Brasil, Moro vive um isolamento parcial. Embora tenha o controle do diretório, perdeu quadros importantes para o grupo do governador. Seu maior obstáculo, porém, é a federação com o Progressistas (PP). O deputado Ricardo Barros, presidente do PP, é o principal opositor à sua candidatura. Segundo ele:
"Hoje, o que está definido é que o Moro não será nosso candidato".
Barros sugere que a federação possui nomes que "dialogam melhor com a política", mencionando figuras como Cida Borghetti, Marcelo Belinati ou até Rafael Greca.
Oficialmente, o ex-juiz tenta demonstrar estabilidade. Através de nota, sua equipe afirmou:
"O senador Sergio Moro permanece no União Brasil, partido que garantiu sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. As divergências com PP serão resolvidas com diálogo".
Apesar da negativa, o prazo final para qualquer troca partidária é 4 de abril, data em que o cenário para as eleições de 2026 deverá estar finalmente consolidado.