Ministros pedem que Toffoli “esclareça” caso Master: “Não brigue com os fatos”

Segundo integrantes da Corte, Toffoli diz que não recebeu dinheiro de Vorcaro, mas também não diz de quem recebeu ou quanto

12/02/2026 às 12h10
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Ministro Dias Toffoli - Reprodução: Gustavo Moreno/STF
Ministro Dias Toffoli - Reprodução: Gustavo Moreno/STF

A cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) enviou um recado direto: Dias Toffoli não deve tentar contestar as evidências e precisa detalhar seu vínculo com o empresário Daniel Vorcaro caso pretenda contar com a solidariedade de seus colegas. Até o momento, o magistrado limitou-se a publicar dois comunicados oficiais em resposta às investigações da Polícia Federal que sugerem uma proximidade comercial entre ambos.

Nos corredores da Corte, a leitura é de que existe uma articulação política por trás da divulgação desses dados — possivelmente uma retaliação do Palácio do Planalto devido ao histórico do ministro em relação à Operação Lava Jato. Contudo, os demais integrantes do Tribunal não pretendem se desgastar publicamente sem garantias sólidas sobre o que de fato ocorreu.

Um obstáculo central é o comportamento do próprio Toffoli, que tende ao isolamento em momentos de crise, o que acaba por fragilizar qualquer esforço de blindagem por parte dos colegas. Mesmo que a tese de uma conspiração para enfraquecer o Judiciário ganhe força, ela perderá relevância se os dados concretos comprovarem uma parceria lucrativa entre o magistrado e o banqueiro.

A orientação predominante no STF é pragmática: “Certo ou errado, não brigue com os fatos. Esclareça.”

Os Detalhes do Relatório e a Defesa Interna

O dossiê da PF, que detalha o conteúdo extraído do smartphone de Vorcaro, possui 200 laudas e foi o tema central de uma reunião entre o presidente da Casa, Edson Fachin, e os demais ministros. Durante o encontro, Toffoli prestou contas:

  • A Estrutura: Confirmou que possuía participação na Maridt, empresa proprietária do Resort Tayayá.

  • A Transação: Alegou que os valores recebidos vieram de uma estrutura complexa de investimentos (o “fundo do fundo do fundo”) conectada ao Banco Master, como pagamento pela alienação do imóvel.

  • O Sigilo: O nome do ministro não consta nos registros oficiais por se tratar de uma Sociedade Anônima (S.A.). Como ele nunca havia tornado pública sua ligação com o hotel, tecnicamente não pode ser acusado de ter faltado com a verdade anteriormente.

Segundo apurações, o negócio entre o complexo hoteleiro e o conglomerado de Vorcaro girou em torno de R$ 50 milhões. Posteriormente, o empreendimento foi repassado a um jurista vinculado à J&F. Vale recordar que Toffoli já proferiu decisões favoráveis ao grupo dos irmãos Batista, incluindo a suspensão de uma sanção bilionária.

Atualmente, Toffoli conduz o inquérito sobre o Banco Master, instituição suspeita de movimentações irregulares na casa dos R$ 12 bilhões, acusação que o banco refuta. O magistrado, por ora, nega-se a abandonar a função.

Diante do relatório, abrem-se dois caminhos:

  1. Gesto Voluntário: Toffoli reconsidera e se retira da relatoria por iniciativa própria. Neste cenário, todos os elementos e provas obtidos até agora são mantidos no processo.

  2. Julgamento Inédito: O Plenário do STF pode ser convocado para deliberar sobre a suspeição do colega. Caso ele seja forçado a sair por decisão do colegiado, ocorreria um marco histórico negativo e, juridicamente, todos os atos e decisões tomados por ele no caso seriam invalidados.

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