Maquiador de Virgínia é suspeito de desviar milhares de reais de salão de beleza

Investigação da Polícia Civil aponta que o profissional famoso entre celebridades teria direcionado pagamentos de clientes para conta pessoal; prejuízo pode chegar a R$ 300 mil

13/02/2026 às 10h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Gustavo Ferreira Ribeiro - Reprodução: Instagram
Gustavo Ferreira Ribeiro - Reprodução: Instagram

Gustavo Ferreira Ribeiro, empresário e maquiador de 37 anos, é o novo alvo de investigações do mundo das celebridades. Com uma audiência digital que ultrapassa 100 mil fãs, ele ganhou notoriedade ao assinar o visual de figuras públicas como Virginia Fonseca, Adriane Galisteu e Andressa Suita. Além de seu trabalho com estética, ele dividia a gestão de um estabelecimento no Setor Sul, em Goiânia, local que teria sido palco das movimentações financeiras suspeitas.

Conforme os dados levantados pela Polícia Civil de Goiás, a antiga parceira de negócios de Gustavo notou falhas contábeis na empresa a partir de outubro de 2024. O relato indica que pacotes de serviços — especialmente os voltados para casamentos e grandes eventos — eram fechados, porém o faturamento não ingressava no patrimônio compartilhado da firma.

A estratégia consistia, supostamente, na ajuda de uma colaboradora para desviar os recursos. Caso alguma cliente questionasse a mudança nos dados de pagamento, recebia instruções para transferir o montante diretamente para o Pix pessoal do investigado.

O delegado Fernando Martins, à frente do inquérito, sustenta que diálogos e depoimentos sugerem que o maquiador agia com pleno conhecimento das falhas. Em mensagens interceptadas, nota-se que, diante do estranhamento de contratantes sobre os novos dados bancários, a funcionária consultava Gustavo, que validava o uso de sua conta particular.

Em juízo, a ex-subordinada ratificou que cumpria determinações expressas para ignorar a conta jurídica do salão, onde a partilha de lucros deveria ocorrer de forma equânime entre os sócios.

Contraponto e a linha de defesa

Ao prestar esclarecimentos, Ribeiro não negou o recebimento dos valores em sua conta, mas apresentou uma justificativa: os depósitos seriam uma compensação por repasses não efetuados pela ex-sócia em outro empreendimento. Para os investigadores, tal conduta pode ser enquadrada como exercício arbitrário das próprias razões, que ocorre quando um indivíduo tenta reaver o que acredita ser seu direito sem autorização legal.

O esquema teria operado até agosto do último ano, coincidindo com o período anterior à abertura de uma nova unidade de beleza do maquiador em Goiânia.

Batizada de Operação Beleza Sem Filtro, a ofensiva visa desmantelar possíveis práticas de apropriação indébita. Foram efetuadas buscas no domicílio do empresário, no novo salão e na residência da funcionária envolvida. Smartphones e computadores foram recolhidos e passam agora por análise técnica para detalhar o fluxo das transações.

Até o momento, não houve decretação de prisões. A autoridade policial aguarda os laudos periciais para decidir se o episódio será tratado na esfera criminal ou se ficará restrito a uma disputa cível entre ex-sócios.

“Com a operação, queremos entender qual crime de fato ocorreu. Os desvios financeiros já estão comprovados, mas a tipificação ainda será definida”, destacou o delegado responsável.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários