
Uma investigação minuciosa foi iniciada nos bancos de dados da Receita Federal com o objetivo de identificar possíveis acessos ilegais a informações confidenciais de aproximadamente uma centena de indivíduos, grupo que engloba magistrados do Supremo Tribunal Federal e seus respectivos parentes.
O monitoramento abrange uma rede familiar extensa, incluindo genitores, descendentes, irmãos e parceiros dos dez integrantes do tribunal.
Conforme reportado pela Folha de S.Paulo, a solicitação para o pente-fino partiu do ministro Alexandre de Moraes. A verificação ocorre em um cenário de forte instabilidade institucional, desencadeada pelo colapso e subsequente liquidação do Banco Master.
O desenrolar do escândalo envolvendo a instituição financeira de Daniel Vorcaro levantou alertas sobre o possível escoamento de dados protegidos por sigilo fiscal e bancário. No epicentro dessa tensão:
Suspeitas do STF: Membros da Corte acreditam que a Polícia Federal possa ter realizado diligências sobre os ministros sem o devido respaldo jurídico.
Reação da PF: Agentes federais, em contrapartida, argumentam que a condução do processo pelo ministro Dias Toffoli teria obstruído o progresso das investigações.
Recentemente, a condução do dossiê Master mudou de mãos: André Mendonça assumiu o posto anteriormente ocupado por Toffoli. O clima de desconfiança se acirrou após detalhes de um encontro sigiloso sobre essa troca chegarem ao conhecimento público. Pelo fato de apenas juízes estarem presentes no recinto, surgiu a tese interna de que o próprio Toffoli teria exposto os diálogos para sinalizar que possuía o aval de seus pares.
Um reportagem de O Estado de S. Paulo revelou que o fundo de investimento utilizado pelo proprietário do Banco Master para adquirir uma cota do resort Tayayá — empreendimento vinculado a Toffoli — registrou transações de 35 milhões de reais.
Os depósitos, realizados por Fabiano Zettel, pastor e cunhado do banqueiro, coincidem cronologicamente com a formalização da parceria entre o fundo e a MARIDT, empresa pertencente ao magistrado.
Para o analista político, Murilo Medeiros, o peso das acusações que recaem sobre o ministro intensifica o desgaste da credibilidade do STF em sua função de protetor da Constituição:
"As denúncias contra o ministro aprofundam a degradação da imagem do STF como guardião constitucional".