
O ex-presidente Michel Temer criticou neste domingo (15) a forma como foi retratado no desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí. A escola abriu o Grupo Especial com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na apresentação, a comissão de frente encenou momentos da crise política de 2016. A coreografia mostrou a transição de poder entre Dilma Rousseff e Temer, além de representar o impeachment e seus desdobramentos, incluindo a eleição de Jair Bolsonaro. Em um dos trechos, o ex-presidente apareceu associado à narrativa de golpe.
Em nota divulgada após a repercussão, Temer afirmou que a sátira política integra a tradição do carnaval. Disse que, como defensor da liberdade de expressão e artística, não cabe julgar o tema escolhido pela escola.
O ex-presidente, no entanto, criticou o que chamou de “troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”. Segundo ele, não faz sentido exigir rigor histórico de um enredo carnavalesco, mas é preocupante quando o “ilusionismo” deixa a avenida e chega à Esplanada dos Ministérios.
Temer aproveitou a manifestação para comentar o cenário político e econômico atual. Citou preocupação com o que classificou como irresponsabilidade fiscal, juros elevados e crescimento do endividamento público. Também mencionou reformas aprovadas durante seu governo, como a trabalhista, a do ensino médio e a da Previdência, que, segundo ele, representaram avanços estruturais.
A homenagem a Lula ocorre em ano eleitoral e já vinha gerando debates. Críticos apontam possível conotação política na apresentação. Defensores sustentam que o carnaval é espaço de narrativa histórica e expressão cultural.