
O Ministério Público Federal protocolou uma Ação Civil Pública em Uberlândia pedindo uma indenização de 10 milhões de reais contra a Rede Globo sob a acusação de uso indevido da língua portuguesa. O procurador da República Cléber Eustáquio Neves argumenta que a emissora ignora a norma culta ao pronunciar a palavra recorde como se fosse uma proparoxítona, com ênfase na sílaba "ré". Segundo a peça jurídica apresentada em janeiro de 2026, tal prática configura um desserviço à sociedade brasileira e desrespeita o padrão ortoépico do idioma.
No desenvolvimento da argumentação, o órgão ministerial sustenta que a Globo exerce um efeito multiplicador nocivo sobre milhões de telespectadores devido à sua posição de liderança na audiência nacional. A ação destaca que a insistência no erro linguístico prejudica diretamente estudantes e candidatos a concursos públicos que tomam a fala dos apresentadores como referência correta. Para comprovar a reiteração do equívoco, o documento cita exemplos específicos em reportagens do Jornal Nacional, do programa Amazônia Agro e do telejornal RJ2, nos quais o termo é pronunciado de forma inadequada em contextos que variam de recordes olímpicos a safras agrícolas.
Em conclusão, a fundamentação jurídica do processo baseia-se no Artigo 221 da Constituição Federal, que define que as concessões de rádio e televisão devem priorizar finalidades educativas e informativas. O MPF defende que o descumprimento dessas diretrizes gramaticais fere o interesse público e o compromisso da concessionária com a educação. A emissora ainda não apresentou uma defesa formal sobre o caso, que agora segue para análise da Justiça Federal e pode resultar na destinação da multa milionária para fundos de defesa de direitos coletivos.
A pronúncia correta da palavra recorde na língua portuguesa é como uma paroxítona, ou seja, a ênfase tônica deve recair obrigatoriamente sobre a penúltima sílaba: re-COR-de. De acordo com a norma culta e as regras de prosódia, o termo não possui acento gráfico, o que reforça que a vogal "e" inicial não deve ser aberta nem tônica. O erro comum de pronunciá-la como "récorde" é classificado como um cacoépia, geralmente influenciado pelo substantivo inglês record, que possui a acentuação na primeira sílaba. No português, entretanto, a estrutura silábica segue o padrão de palavras como "acorde" ou "disfarce", mantendo a sonoridade fechada e centralizada, critério este que é rigorosamente exigido em avaliações gramaticais e concursos públicos.