Irmão de Eliza Samudio nega participação em carta da família e manda recado a Bruno, hoje foragido: “Se teve coragem pra fazer, tenha pra assumir”

Arlie Moura critica falhas da Justiça, mantém perdão ao goleiro, mas dispara contra atitude dele e nega participação em carta divulgada por mãe e madrinha

17/03/2026 às 16h46 Atualizada em 17/03/2026 às 16h58
Por: Mateus Pereira
Compartilhe:
Fotos: redes sociais
Fotos: redes sociais

O novo mandado de prisão contra o goleiro Bruno, que voltou a ser considerado foragido pela Justiça, reacendeu uma ferida que nunca cicatrizou na família de Eliza Samudio. Em entrevista exclusiva ao portal Felipeh Campos, o irmão da vítima, Arlie Moura, de 27 anos, falou abertamente sobre o caso e não poupou críticas à justiça, ao algoz de sua irmã e até mesmo à própria família.

Direto, ele apontou falhas graves no sistema e disse que o erro começou muito antes da atual situação, onde Bruno é procurado pela polícia:

A Justiça falhou no momento que soltou. Agora arque com as consequências. A terrena até pode falhar, mas a espiritual não.

Mesmo com a esperança de uma nova prisão, Arlie deixou claro que nenhuma decisão será capaz de reparar o que aconteceu com Eliza. Ele ainda foi além com uma crítica ainda mais sensivel: para ele, a maior falha do sistema ocorreu antes do crime:

Estou esperançoso que seja preso novamente e fique um bom tempo, mas isso não traz minha irmã de volta e nem apaga os danos psicológicos que ele causou [...] A falha da Justiça começou no momento que não deu amparo e suporte pra minha irmã antes dela ser morta. Se tivessem olhado melhor, ela poderia estar viva hoje.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por Arlie Moura (@arliemoura)

Apesar do histórico do caso, Arlie mantém uma posição que surpreende. Mesmo com Bruno novamente foragido, ele diz que o sentimento de perdão não mudou, mas isso não significa complacência:

Não muda em nada, mas só prova o quanto ele não presta e tem muita culpa no cartório. E para os fãs dele pararem de ser besta.

O irmão da vítima também falou sobre uma das maiores dores que atravessam quase 16 anos: o desaparecimento do corpo de Eliza. Para ele, a resposta existe, mas esbarra no medo. “Resposta sempre tem, só basta quem sabe a verdade abrir a boca. Mas o medo de ser o próximo é grande.” Sem esconder o peso dessa ausência, ele desabafou sobre o impacto no luto:

É uma esperança e uma espera sem fim, um luto de quase 16 anos. Mesmo se acharem, essa ferida e a dor sempre existirão.

Ao falar diretamente sobre Bruno, Arlie foi ainda mais incisivo e fez um apelo que ecoa há anos. “Se você tem um pingo de humanidade, fala o que você fez com minha irmã. Se teve coragem pra fazer, tenha pra assumir.” E completou, sem rodeios: “Do Bruno eu não espero nada.

Carta da família gera polêmica

Nesta terça-feira (17), uma carta aberta assinada por Sônia Moura e pela madrinha do filho de Eliza ganhou repercussão nacional ao cobrar a prisão do goleiro e denunciar o que classificaram como impunidade. No texto, elas afirmam que “um feminicida desfila impune”, além de questionarem a atuação do Judiciário.

Arlie, no entanto, fez questão de se posicionar e negou participação no documento, adotando um tom firme ao comentar o assunto, além de revelar um incômodo pessoal com a situação:

Está equivocado colocar família. Deveria colocar mãe e madrinha, pois eu não estava presente e nem ciente da carta [...] O erro já começou com dona Sônia, minha genitora, em sempre me excluir de tudo que menciona a Eliza.

Além disso, o irmão de Eliza respondeu de forma crítica e reflexiva sobre o fato de Bruno ainda obter apoio por uma parte da população. Recentemente, inclusive, o goleiro não apenas voltou a jogar profissionalmente como também ganhou destaque popular e midiático ao disputar uma partida oficial da Copa do Brasil.

Uma parte do Brasil infelizmente só segue o padrão de dar ibope pra gente que não presta, nem me abalo mais com isso. Só me mostra como tem gente de caráter duvidoso.

A nova polêmica envolvendo o caso acontece justamente no momento em que Bruno volta ao radar das autoridades, após não ser localizado para cumprir exigências judiciais, reacendendo o debate sobre impunidade, falhas no sistema e a longa espera por respostas que, até hoje, nunca chegaram completamente.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por Arlie Moura (@arliemoura)

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários