“Infelizes e não refletem a realidade”: Retiro dos Artistas se manifesta após críticas de Marcos Oliveira

Em nota oficial, entidade centenária reforça o direito ao livre-arbítrio dos residentes e lamenta o sensacionalismo em torno da vulnerabilidade dos veteranos.

26/03/2026 às 18h21 Atualizada em 26/03/2026 às 18h50
Por: Redação
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Marcos Oliveira - Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal
Marcos Oliveira - Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal

O Retiro dos Artistas utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira para se manifestar oficialmente após as recentes e polêmicas declarações do ator Marcos Oliveira. Em nota, a instituição centenária, que acolhe mais de 50 profissionais da arte, classificou as falas do residente como "infelizes" e afirmou que elas não refletem a visão da maioria dos moradores. O posicionamento surge como uma defesa da missão da entidade em oferecer dignidade e qualidade de vida, em meio a um cenário de exposição mediática do intérprete do eterno "Beiçola".

O embate público começou após Marcos Oliveira revelar, em entrevista à revista Veja, um profundo descontentamento com a rotina no local. Residente do Retiro após enfrentar graves problemas financeiros, o ator desabafou sobre a falta de conexões íntimas e o que chama de "invisibilidade" da sexualidade na velhice. Segundo Oliveira, existe um silenciamento sobre os desejos dos veteranos, criticando a convivência que classifica como ruidosa, superficial e carente de trocas afetivas básicas, como o simples hábito de um morador visitar a casa do outro.

Em resposta, o Retiro dos Artistas destacou a complexidade de gerir um ambiente coletivo com personalidades tão distintas, o que exige um diálogo constante para manter a harmonia. A instituição pontuou que nem todas as pessoas que precisam de ajuda se sentem confortáveis em sua posição de vulnerabilidade, sugerindo que "precisar, aceitar e querer" estar nessa condição são sentimentos diferentes que exigem compreensão mútua. A nota também criticou o "crescente sensacionalismo" da imprensa, que priorizaria o engajamento em detrimento da responsabilidade social.

Marcos Oliveira, por sua vez, sustenta que sua busca não é por performances físicas, mas por um "desenvolvimento científico" e humano sobre o estado psicológico dos idosos. Ele afirmou que se recusa a aceitar que a vida após os 70 anos se resuma a comer, beber e falar do passado, reivindicando seu direito de discutir ideias para o futuro e manter sua identidade emocional ativa. O ator enfatizou que, enquanto estiver pensando e respirando, não permitirá que ninguém domine o que ele sente.

 
 
 
 
 
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Por fim, a instituição reforçou que todos os seus residentes possuem livre-arbítrio para permanecer ou deixar o local quando desejarem, reafirmando o compromisso com o acolhimento e o respeito. O Retiro finalizou a nota posicionando-se contra julgamentos precipitados e a desmoralização de pessoas em situação de vulnerabilidade, defendendo que o foco coletivo deveria estar voltado para o auxílio real e menos para a exposição prejudicial de trabalhos sérios.

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