São Paulo registra alta histórica em visitação a parques naturais da cidade

Rede municipal de áreas de conservação bate recorde de público, amplia trilhas guiadas e reforça o contato dos paulistanos com a Mata Atlântica dentro da cidade

27/03/2026 às 14h15 Atualizada em 27/03/2026 às 16h28
Por: Natália Raquel
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Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo
Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

A procura por áreas verdes e experiências ao ar livre dentro da cidade fez a visitação aos Parques Naturais Municipais de São Paulo disparar nos últimos anos. Dados da Prefeitura mostram que o número de visitantes saltou de 11.304 em 2021 para 56.614 em 2025, um crescimento de mais de 400% em cinco anos.

O avanço revela uma mudança no comportamento dos paulistanos, que passaram a buscar com mais frequência espaços de contato com a natureza, trilhas e atividades de educação ambiental em meio à rotina urbana. Ao mesmo tempo, o aumento também reflete a ampliação da estrutura oferecida pelo município e a consolidação de roteiros voltados ao ecoturismo dentro da capital.

Hoje, São Paulo reúne uma rede de Parques Naturais Municipais (PNMs) que preservam áreas de Mata Atlântica, mananciais e ecossistemas importantes em diferentes regiões da cidade. Esses espaços são classificados como Unidades de Conservação de Proteção Integral, ou seja, áreas destinadas à preservação ambiental, à pesquisa científica, à educação e ao turismo ecológico de baixo impacto.

Fazenda do Carmo lidera crescimento

Entre os parques da capital, o principal destaque no avanço da visitação foi o Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, na Zona Leste, que registrou em 2025 um número de visitantes 33 vezes maior do que o observado em 2021.

Outras unidades também tiveram alta expressiva, como os parques Bororé e Jaceguava, ambos no extremo sul da cidade, que mais do que quintuplicaram o público no mesmo período.

A expansão da procura reforça o potencial da cidade para consolidar um turismo ambiental mais forte e permanente, especialmente em regiões periféricas que concentram grandes áreas preservadas e pouco conhecidas por boa parte da população.

Natureza dentro da metrópole

Embora São Paulo seja associada ao concreto, ao trânsito e à vida acelerada, parte importante de seu território ainda abriga áreas de vegetação nativa, nascentes, represas e trilhas ecológicas. É justamente essa combinação entre floresta e cidade que vem despertando o interesse de visitantes em busca de novas experiências de lazer e bem-estar.

Além do passeio em si, os parques funcionam como espaços de sensibilização ambiental e oferecem uma oportunidade rara de aproximação com a biodiversidade presente no município.

A visitação também ajuda a fortalecer a percepção de que a preservação ambiental não está restrita a destinos distantes ou áreas rurais, mas pode fazer parte do cotidiano urbano.

Trilhas guiadas ampliaram acesso

Parte do crescimento recente está ligada ao programa “Vamos Trilhar”, criado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME) em 2024 com o objetivo de facilitar o acesso da população às trilhas e áreas protegidas da cidade.

A iniciativa oferece visitas monitoradas e gratuitas, com foco em lazer, atividade física e educação ambiental. Desde a criação, o programa já realizou 576 trilhas guiadas, reunindo quase 53 mil participantes em cinco parques municipais.

A proposta foi pensada especialmente para quem não tem experiência com esse tipo de passeio ou deseja conhecer os parques com mais segurança. Os roteiros incluem percursos para diferentes perfis de público, desde iniciantes até visitantes com maior preparo físico.

No Parque Natural Municipal Itaim, por exemplo, a Trilha do Tatu tem 700 metros e nível considerado fácil, sendo indicada para observação da fauna e da flora local. Já no Parque Natural Municipal Varginha, a Trilha do Içá propõe um percurso de 1.800 metros, com trechos de média dificuldade e pontos de contemplação.

Neste ano, o programa continuará sendo realizado aos sábados, domingos e alguns feriados, com agendamento prévio e transporte gratuito até os parques. Os participantes também recebem camiseta, água e lanche no início da atividade.

Trilha Interparques amplia rota ecológica

Outra aposta da Prefeitura para fortalecer o ecoturismo na capital é a Trilha Interparques, inaugurada em maio do ano passado como a maior trilha urbana de São Paulo.

Com 182 quilômetros de extensão, o trajeto conecta diferentes áreas protegidas da Zona Sul, incluindo parques naturais municipais, parques estaduais, represas e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), além do Polo de Ecoturismo de Parelheiros, Marsilac e Ilha do Bororé.

Todo o percurso é sinalizado com placas da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, o que permite que visitantes façam o trajeto com mais autonomia e segurança.

A trilha se tornou uma alternativa tanto para caminhadas curtas quanto para percursos mais longos, reforçando a proposta de integrar lazer, turismo e preservação ambiental em uma mesma experiência.

Expansão da rede de parques

Os dados de visitação consideram os cinco parques naturais abertos ao público e em funcionamento ao longo de 2025. No entanto, a rede municipal conta atualmente com sete unidades.

O mais novo deles é o Parque Natural Municipal Cabeceiras do Aricanduva, também na Zona Leste, que teve sua primeira etapa inaugurada neste mês. A entrega inicial contemplou 100 mil metros quadrados, dentro de uma área total prevista de mais de 2,2 km².

Já o Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia, em Parelheiros, integra a rede de conservação da cidade, mas não é aberto à visitação pública, sendo voltado apenas a atividades indiretas, como pesquisa e educação ambiental.

Ecoturismo ganha força na cidade

O crescimento da visitação aos parques naturais indica que São Paulo vem ampliando seu potencial como destino de ecoturismo urbano, um segmento que combina conservação ambiental, lazer e valorização do território.

Em uma cidade marcada por desigualdades de acesso ao espaço público e à natureza, a expansão dessas atividades também abre espaço para novas formas de convivência, ocupação da cidade e reconexão com áreas verdes muitas vezes invisibilizadas no cotidiano da metrópole.

Com mais estrutura, roteiros acessíveis e programação gratuita, a tendência é que a procura por esse tipo de passeio continue crescendo nos próximos anos.

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