
O cenário político em Brasília foi sacudido nesta sexta-feira (27) com a leitura do relatório final da CPMI do INSS. O documento, apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), pede o indiciamento de 216 investigados e traz um pedido de peso: a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho mais velho do presidente é acusado de participação em organização criminosa e recebimento de valores indevidos.
De acordo com o relatório, Lulinha mantinha uma relação próxima com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como o líder do esquema de fraudes. O texto detalha que o filho do presidente teria atuado como um facilitador de acesso em decisões administrativas no Ministério da Saúde e na Anvisa, valendo-se de seu prestígio familiar. Depoimentos colhidos pela comissão citam repasses mensais de R$ 300 mil a Lulinha, além de uma antecipação recente de R$ 25 milhões por meio de projetos fantasmas.
A defesa de Fábio Luís reagiu com indignação, classificando o pedido de indiciamento como uma manobra de caráter puramente eleitoral por parte do relator. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que "não há um único elemento nos autos que justifique a sugestão" e negou qualquer relação direta ou indireta de seu cliente com os fatos investigados, criticando ainda o vazamento do sigilo bancário de Lulinha.
O pedido de prisão preventiva baseia-se não apenas na gravidade das acusações, mas também no fato de Lulinha ter deixado o Brasil no momento em que a operação foi deflagrada. Enquanto o relatório agora segue para votação e posterior análise do Ministério Público, a CPMI se torna palco de uma disputa ferrenha: governistas já articulam um relatório alternativo pedindo o indiciamento de Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio, em uma tentativa de contra-atacar as conclusões de Gaspar.