
Em um movimento estratégico para garantir a estabilidade das políticas educacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nessa segunda-feira (30), que Leonardo Barchini será o novo Ministro da Educação no último ano do atual mandato. Barchini, que até então servia como o braço direito da pasta na função de secretário-executivo, substitui Camilo Santana, que se despede do cargo para focar no pleito eleitoral de outubro de 2026.
Diferente de nomes puramente políticos, Barchini é reconhecido pelo seu perfil técnico e profundo conhecimento da máquina pública. Antes de chegar à secretaria-executiva do MEC, ele acumulou vasta experiência na gestão universitária e nas relações internacionais da educação.
Trajetória na Unesp: Teve papel de destaque na assessoria de relações externas da Universidade Estadual Paulista, sendo peça-chave na internacionalização do ensino superior brasileiro.
Gestão Pública: Como secretário-executivo, ele foi o principal articulador da implementação de programas como o Pé-de-Meia e a expansão dos Institutos Federais. Sua ascensão sinaliza que o governo prioriza a execução técnica sobre a inovação política neste fechamento de ciclo.
A cerimônia, realizada em Brasília, foi marcada pela entrega simultânea de 107 benfeitorias educacionais, totalizando um aporte de R$ 413,49 milhões via Novo PAC e orçamento direto do ministério. Ao oficializar o sucessor, Lula foi enfático sobre a necessidade de manter o ritmo das obras e projetos já iniciados:
“Não posso escolher um ministro novo, que não estava na área, para ele entrar querer fazer um novo projeto. Quem vai ficar no lugar é alguém que sabe o que está acontecendo naquele ministério para a gente não inventar nada de novo, porque a gente agora só tem que concluir o que a gente começou a fazer”, disse o presidente.
Um dos maiores desafios de Barchini será cumprir a promessa de universalização digital. O salto é ambicioso:
2023: 45,4% das escolas conectadas.
Cenário Atual: Já ultrapassa a marca de 71%.
Objetivo Final: Atingir 100% de cobertura de internet em todas as unidades de ensino até o término do mandato.
Camilo Santana, que deixa o posto oficialmente até o fim desta semana para cumprir o prazo de desincompatibilização, ainda mantém em sigilo qual cargo disputará nas urnas.
O evento contou com uma plateia de peso, incluindo a primeira-dama, Janja Silva, e figuras centrais do governo e do legislativo, como Rui Costa (Casa Civil), Margareth Menezes (Cultura), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Humanas) e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O MEC agora entra em uma fase de "gestão de conclusão", onde a experiência prévia de Barchini será o pilar para evitar interrupções no cronograma educacional do país.