Pix, Mercosul e “taxa das blusinhas”: Casa Branca critica regras do Brasil

Relatório do governo Donald Trump aponta barreiras comerciais brasileiras e cita sistema de pagamentos, tarifas de importação e regras do Mercosul como fatores de instabilidade

01/04/2026 às 16h51
Por: Natália Raquel
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REUTERS/Evelyn Hockstein
REUTERS/Evelyn Hockstein

A Casa Branca incluiu o Brasil em um novo relatório comercial divulgado nesta quarta-feira (1º) e fez críticas diretas a regras adotadas pelo país em áreas como importação, sistema de pagamentos e política tarifária regional. No documento, o governo do presidente Donald Trump aponta o Pix, o Mercosul e a tributação sobre compras internacionais entre os fatores que, na visão dos Estados Unidos, dificultam o ambiente de negócios com o mercado brasileiro.

O relatório reúne observações sobre práticas comerciais de vários países e serve de base para a política tarifária adotada pela atual gestão norte-americana. A proposta, segundo o governo dos EUA, é mapear medidas consideradas restritivas ou desfavoráveis à entrada de produtos e serviços americanos em mercados estrangeiros.

No caso do Brasil, o documento afirma que o país mantém tarifas elevadas sobre uma série de itens importados, entre eles automóveis, autopeças, eletrônicos, produtos químicos, máquinas industriais, aço, plásticos e vestuário. A avaliação da Casa Branca é de que esse conjunto de regras reduz a previsibilidade para exportadores americanos.

Taxa sobre compras internacionais entra na mira

Um dos pontos citados no relatório é a tributação incidente sobre remessas internacionais de pequeno valor, medida que ficou conhecida no debate público como “taxa das blusinhas”. O governo dos EUA menciona a cobrança aplicada sobre compras feitas no exterior e critica o modelo tributário brasileiro para encomendas enviadas por remessa expressa.

A análise americana destaca as limitações de valor para importações e exportações simplificadas, além das alíquotas cobradas em diferentes faixas de remessa. Embora o relatório trate da estrutura geral do sistema aduaneiro, o tema se conecta diretamente à mudança tributária implementada pelo Brasil nos últimos anos para compras internacionais feitas por plataformas digitais.

Pix também é alvo de questionamento

Outro ponto que chamou atenção foi a menção ao Pix, sistema de pagamento instantâneo criado e regulado pelo Banco Central. No documento, o governo dos Estados Unidos afirma que empresas americanas do setor financeiro manifestaram preocupação com o modelo brasileiro, sob o argumento de que o Banco Central atua ao mesmo tempo como operador, regulador e formulador da ferramenta.

A crítica central é de que essa estrutura poderia favorecer o sistema nacional em detrimento de empresas privadas estrangeiras que atuam no segmento de pagamentos digitais. O relatório também menciona a exigência de adesão ao Pix por instituições financeiras com grande número de contas ativas no país.

O sistema brasileiro já havia sido citado anteriormente por autoridades comerciais americanas em discussões sobre concorrência e ambiente regulatório.

Mercosul é citado por falta de previsibilidade

A política tarifária adotada dentro do Mercosul também aparece entre os pontos de incômodo para a Casa Branca. O governo Trump afirma que exportadores dos Estados Unidos enfrentam incertezas ao negociar com o Brasil por causa das mudanças frequentes nas tarifas aplicadas dentro das margens permitidas pelo bloco sul-americano.

Na avaliação americana, essa flexibilidade dificulta o cálculo de custos e reduz a previsibilidade para empresas interessadas em operar no mercado brasileiro. O relatório trata essa oscilação como um fator que interfere no planejamento comercial de médio e longo prazo.

Formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o Mercosul funciona como um bloco econômico com regras próprias de comércio entre os países-membros e política tarifária comum para parte das operações externas.

Relatório amplia pressão comercial

A divulgação do documento ocorre em meio ao endurecimento do discurso comercial da gestão Trump em relação a parceiros estratégicos e mercados emergentes. O relatório não representa, por si só, a adoção imediata de novas sanções ou tarifas, mas funciona como sinal político e econômico sobre os temas que passaram a incomodar a Casa Branca nas relações comerciais com o Brasil.

Na prática, a inclusão desses pontos no texto reforça a possibilidade de novos atritos diplomáticos e comerciais entre os dois países, especialmente em temas ligados à regulação digital, importação e concorrência internacional.

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