Após reunião com Ricardo Nunes, 99 recua e desiste de operar mototáxi em São Paulo

Empresa informou à Prefeitura que não vai credenciar o serviço na capital e deve concentrar atuação em entregas e alimentação

03/04/2026 às 10h20 Atualizada em 03/04/2026 às 10h42
Por: Natália Raquel
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Alexandre Battibugli/VEJASP
Alexandre Battibugli/VEJASP

A empresa 99 informou à Prefeitura de São Paulo que desistiu de operar o serviço de mototáxi na capital paulista. A decisão foi comunicada durante uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), realizada nesta quarta-feira (1º), em meio ao endurecimento das regras para esse tipo de transporte na cidade.

Segundo a administração municipal, a empresa decidiu não seguir com o credenciamento para o transporte de passageiros por motocicleta após a sanção da nova legislação que regulamenta a atividade em São Paulo. A avaliação do setor é de que as exigências impostas pelo município tornaram a operação mais restrita.

Regras mais duras pesaram na decisão

As novas regras para o mototáxi foram sancionadas por Ricardo Nunes em dezembro de 2025 e estabeleceram uma série de condições para a atuação das plataformas na capital.

Entre as exigências previstas estão:

  • idade mínima de 21 anos para os condutores;
  • proibição de circulação na área do minianel viário, que inclui o centro expandido;
  • obrigatoriedade de cursos específicos;
  • realização de exame toxicológico;
  • uso de equipamentos de segurança.

Nos bastidores, a leitura é que o novo modelo regulatório reduziu a viabilidade da operação para as empresas interessadas em explorar esse mercado na cidade.

Prefeitura cita segurança e pressão sobre a saúde pública

Ao comentar a decisão, Ricardo Nunes afirmou que a posição da Prefeitura sempre esteve baseada em critérios técnicos e na preocupação com a segurança viária.

Segundo o prefeito, a cidade já convive com alto número de acidentes envolvendo motocicletas, o que também pressiona a rede pública de saúde.

“A cidade é complexa, e nossa preocupação é com a segurança do motoqueiro e do passageiro”, afirmou.

Nunes também disse considerar positiva a decisão da empresa de não avançar com o serviço neste momento.

99 quer manter diálogo com a Prefeitura

Apesar de recuar no mototáxi, a 99 sinalizou que pretende manter a interlocução com a gestão municipal e continuar discutindo possíveis frentes de atuação na cidade.

De acordo com a Prefeitura, durante a reunião o CEO da empresa, Simeng Wang, demonstrou disposição para seguir em diálogo com o poder público e avaliar novas formas de parceria.

Uma das propostas apresentadas pela companhia foi a criação de um ponto de apoio para motociclistas no município.

Foco agora será em entregas e alimentação

Com a desistência do mototáxi, a tendência é que a 99 concentre seus investimentos em outras frentes de operação já existentes na capital.

A empresa informou que deve priorizar serviços como:

  • 99 Entrega
  • 99 Food

A movimentação ocorre em um momento de disputa entre plataformas, governos locais e categorias profissionais em torno da expansão dos serviços de transporte por motocicleta em grandes centros urbanos.

Debate continua em outras capitais

A discussão sobre o uso de motos por aplicativos para transporte de passageiros continua avançando em diferentes cidades brasileiras, mas segue cercada de controvérsia.

Enquanto algumas capitais caminham para regulamentar o serviço, São Paulo adota uma linha mais restritiva, sob o argumento de segurança pública e redução de riscos no trânsito.

A decisão da 99, portanto, representa um revés para a expansão do mototáxi na maior cidade do país e reforça a resistência da gestão municipal ao modelo.

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