
O cenário político paulista ferve com a disputa pelo protagonismo em infraestrutura. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) contestou veementemente as recentes declarações de Fernando Haddad (PT). Nos vídeos publicados em suas redes sociais, o petista sugere que o Governo Lula sustenta “grande parte” das intervenções estruturais mais relevantes no território paulista.
A ofensiva de Haddad começou com propagandas partidárias durante o feriado, marcando sua estreia como pré-candidato ao governo estadual. Nos vídeos, que também ocuparão a grade televisiva, o ex-ministro da Fazenda enfatiza o aporte federal em empreendimentos de grande valor em São Paulo.
Nessa segunda-feira (6), ao discursar no 68º Congresso Estadual de Municípios, Tarcísio reagiu à estratégia, classificando-a como um esforço para “compartilhar a paternidade” de marcos como a conclusão do Rodoanel Norte e a ampliação da rede metroviária.
"O Ricardo Nunes falou da linha 17 do metrô. Quanto tempo esperando. E o que chama a atenção é como isso tem incomodado alguns. Tem incomodado a oposição, que coloca até propaganda na TV para tentar se apropriar da obra alheia. Dizendo, olha, em algum momento no passado o BNDES emprestou um dinheiro e aquela obra ficou parada por uma série de anos", declarou o governador. "Não adianta querer compartilhar a paternidade agora, pois isso é uma grande bobagem. A população cansou de politicar. A população quer entrega".
Nas gravações, intituladas “a verdade sobre as obras em São Paulo”, Haddad conta com o apoio de Lula para criticar a suposta omissão do estado sobre os volumosos recursos da União.
"Repasses diretos, financiamentos via BNDES, garantias para empréstimo e a renegociação da dívida de São Paulo, que eu mesmo conduzi como ministro da Fazenda, viabilizando essas obras, mas isso eles não revelam", pontua o petista em um dos trechos.
Em outro trecho, ele exalta o estado como “o grande motor da economia do país”, assegurando que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo”. A lista de projetos citados inclui:
O trecho Norte do Rodoanel (R$ 1,3 bilhão via BNDES).
O Trem Intercidades (TIC) SP-Campinas.
A expansão da Linha 2-Verde do Metrô.
Conjuntos habitacionais e unidades de saúde.
O atrito não é inédito. Em março, Lula já havia alfinetado Tarcísio durante encontro com prefeitos, alegando que o governador se apropria de projetos financiados conjuntamente.
"Tanto o trem, quanto o túnel e metrô, é dinheiro financiado pelo BNDES em nome do governo federal. Aqui em São Paulo, praticamente 60% das casas construídas são do Minha Casa, Minha Vida, que aqui eles dão o nome de Casa Paulista. E o governador tem inaugurado muitas dessas casas, ele poderia pelo menos ter a singeleza de dizer 'essas casas são feitas pelo governo federal, e eu pedi licença para chamar de Casa Paulista'. Que é um programa criado pelo Alckmin quando era governador. Nem nome ele criou, só plagiou", disparou o presidente na época.
Tarcísio, em contrapartida, mantém a postura de que financiamento bancário é apenas uma ferramenta de mercado, e não uma concessão política:
"Quem não tem o que mostrar tem que viver de narrativa, de propaganda. O problema é que o cidadão já não se enxerga mais na propaganda. Quando alguém tem que vir para SP para participar de determinadas entregas para dizer “o BNDES financiou isso”, ou seja, está celebrando operação de crédito, que é obrigação do banco, como se a operação de crédito fosse um favor. É o core do banco, se o BNDES não existir para financiar a infraestrutura vai existir para que?", rebateu o governador.
A polêmica envolve até placas de inauguração. No final do ano passado, Aloizio Mercadante, à frente do BNDES, criticou a ausência do nome da instituição em eventos oficiais, enquanto Tarcísio preferiu exaltar o legado de Jair Bolsonaro e criticar a corrupção de gestões passadas pelos atrasos históricos.