
Dentro das salas do Supremo Tribunal Federal (STF), a percepção é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o "giro eleitoral". A tática consiste em estabelecer um distanciamento público da Corte para blindar seu capital político de possíveis desgastes nas urnas. Esse novo posicionamento ficou nítido para os magistrados após as declarações recentes do mandatário.
Em conversa com o ICL, o petista revelou ter dado orientações diretas ao ministro Alexandre de Moraes, pontuando que a situação envolvendo o caso Master compromete a reputação do Tribunal.
"Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia", declarou Lula.
Lula detalhou ainda a sugestão que ofereceu ao magistrado para lidar com o conflito de interesses envolvendo a atuação jurídica de sua esposa:
"Primeiro porque você não estava advogando no seu escritório há quase 15 anos, porque foi secretário da Justiça, foi ministro do Michel Temer, estava fora. Mas a sua mulher estava advogando, diga que: 'A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença para mim, eu só prometo que aqui na Suprema Corte, em caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa'. Alguma coisa que passe para sociedade uma firmeza, que ele [Moraes] tem", completou o petista.
Para o núcleo próximo ao presidente, essa manobra é calculada. O objetivo é dissipar a narrativa popular de que o Executivo e o Judiciário operam em conjunto. No Palácio do Planalto, entende-se que essa "mistura" de instituições gera um custo eleitoral elevado. Por essa razão, a ordem agora é demarcar território e criar uma separação visível para evitar que polêmicas da Corte contaminem a futura campanha.
Se no governo a mudança é vista como prudente, no STF o sentimento é de contrariedade. A postura do Planalto gerou irritação entre os ministros, inclusive naqueles que costumam alinhar-se à gestão atual.
A crítica interna no Supremo é de que esse afastamento teatral:
Não produz resultados práticos positivos para o governo;
Provoca atritos desnecessários entre os Poderes;
Fragiliza a harmonia institucional em troca de uma percepção pública incerta.
O cenário aponta para uma relação mais fria e pragmática, onde a sobrevivência política de 2026 parece ditar o ritmo das alianças atuais.