
Léo Áquilla fez revelações íntimas e pessoais durante participação no Podshape, podcast comandado por Juju Salimeni e Diogo Basaglia. No bate-papo, a jornalista contou que se identifica como assexual, mais especificamente como demissexual, e também afirmou que pretende retomar no próximo ano o plano de realizar a cirurgia de redesignação sexual, adiada há mais de uma década por questões de saúde.
Ao falar sobre sexualidade, Léo explicou que se reconhece dentro do espectro da assexualidade, mas com uma vivência específica. Segundo ela, existe desejo, mas a atração sexual só acontece quando há envolvimento afetivo.
“Eu sou uma mulher trans, mas eu sou uma pessoa assexual”, afirmou.
Durante a conversa, Juju quis entender melhor a definição, e Léo detalhou que a assexualidade funciona como um espectro, com diferentes formas de vivência.
“Assexual também é um guarda-chuva, porque tem uma variação enorme de assexuais. Porque não é todo mundo igual. Tem o assexual que gosta menos, menos, quase nada de sexo, porque prioriza outras coisas, o amor...”, explicou.
Juju chegou a resumir a explicação dizendo que seria alguém que “não tem vontade de transar”, mas Léo corrigiu a definição e esclareceu que, no seu caso, a questão não está na ausência total de desejo, e sim na forma como ele se manifesta.
“Não tem necessidade, vontade até tem, mas necessidade, não. Não liga”, respondeu.
Na sequência, a jornalista explicou de forma mais direta como se identifica.
“E tem aquelas pessoas que, assim como eu, têm muito tesão, têm muita vontade. Eu sou furacão, meu amor. Eu tô em erupção a todo momento. Mas eu só consigo fazer sexo se tiver amor. Isso se chama demissexual”, declarou.
A fala de Léo acabou gerando identificação imediata em Juju Salimeni, que afirmou viver algo parecido em seus relacionamentos. Durante o episódio, a influenciadora contou que sempre precisou de conexão emocional antes de qualquer envolvimento íntimo.
Juju relembrou, inclusive, o início do relacionamento com Diogo Basaglia e revelou que evitou ir além no primeiro encontro porque ainda não se sentia conectada o suficiente.
“Ah, que se interessa pela personalidade da pessoa, pela inteligência. Pela conexão. Eu sou assim também. Sempre fui”, disse.
Léo então observou que muitas mulheres podem se encaixar nessa vivência sem necessariamente conhecer o termo.
“Então, muita mulher cis é demissexual, mas não sabe classificar, se encaixar”, comentou.
Juju também contou que já havia falado anteriormente sobre a forma como começou a relação com o noivo.
“Inclusive, eu já falei aqui que quando eu conheci meu marido, a primeira vez que a gente ficou, deu uns beijinhos e aí eu fugi dele porque eu não queria dormir com ele”, relatou.
Léo respondeu dizendo que também age da mesma forma quando ainda não existe segurança emocional.
“Então, eu também faço isso, mas porque você precisa de conexão. Você precisa primeiro sentir confiança. A pessoa tem que te passar que te ama, que te respeita”, afirmou.
Ao longo do papo, Juju deixou claro que fala apenas da própria experiência e disse que não se identifica com relações casuais, embora respeite quem viva a sexualidade de outra forma.
“Eu acho muito esquisito, Léo. Tipo, nada contra quem quiser, né? É, tá tudo bem. A pessoa sente vontade, ok”, disse.
Na sequência, ela reforçou:
“A gente tá falando da gente.”
“Não tenho essa vontade”, completou.
Além de falar sobre sexualidade, Léo Áquilla também comentou um tema que envolve sua trajetória pessoal há muitos anos: a cirurgia de redesignação sexual. Segundo ela, o procedimento chegou a ser planejado no passado, mas acabou sendo interrompido por conta de um problema cardíaco.
A jornalista contou que já havia se preparado para realizar a cirurgia fora do Brasil e chegou, inclusive, a pagar pelo procedimento.
“Não fiz, porque eu tenho um problema no coração que não me permite. Eu fiz todos os tratamentos. Eu ia fazer com o Dr. Kamol lá na Tailândia. Cheguei a pagar. É o melhor lugar, porque eles têm muita experiência e a estética também é muito bonita, é muito perfeita. Deixa tudo bem bonitinho”, revelou.
Agora, pela primeira vez, Léo afirmou que voltou a considerar a possibilidade e que pretende fazer a cirurgia em 2027, após anos de acompanhamento médico.
“Agora é que eu estou retomando, depois de 15 anos, essa história para ver se eu faço em 2027. Não contei isso para ninguém”, contou.
Ela também explicou que o avanço das técnicas médicas e a estabilidade do quadro de saúde ajudaram a tornar o procedimento novamente viável.
“Agora a técnica é outra, não é mais tão agressiva como era. Desde que eu descobri esse problema no coração, eu venho fazendo tratamento e acompanhamento. Então, estabilizou o problema porque é uma cirurgia que você vai tomar anestesia geral”, disse.
Ao falar sobre o pós-operatório, Léo descreveu o processo como delicado e exigente.
“Além disso, é muito agressiva. O pós-operatório é punk. A dilatação é muito dolorida, é o que todas as meninas relatam. É o que o médico também relata, porque você tem que ficar dilatando três vezes ao dia, dilatando e enfiando um consolo, porque é um lugar que naturalmente quer fechar”, afirmou.
As declarações repercutiram nas redes sociais e chamaram atenção por abordar, ao mesmo tempo, sexualidade, identidade e saúde. Ao compartilhar sua experiência, Léo Áquilla trouxe visibilidade a temas que ainda são pouco discutidos fora de espaços mais especializados, como a demissexualidade e os desafios que envolvem a decisão por uma cirurgia de redesignação.