
Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, rejeitou nessa última quinta-feira (9) a possibilidade de compor uma chapa como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O político do partido Novo reforçou sua determinação em concorrer à chefia do Palácio do Planalto.
"Levarei minha pré-candidatura até o final", assegurou em conversa com a Rádio Gaúcha, enfatizando que jamais recebeu um "pedido formal" ou discutiu tal arranjo.
O posicionamento surge para frear boatos sobre uma oferta vinda do clã Bolsonaro. Embora tenha se sentido "lisonjeado" pela lembrança, Zema foi incisivo ao negar a função subordinada. O contato mais recente entre ambos aconteceu há cerca de um mês, em um ato político na Avenida Paulista.
Zema revelou que, em agosto de 2023, comunicou suas pretensões eleitorais diretamente a Jair Bolsonaro. De acordo com o ex-governador, a reação do ex-mandatário foi de que a multiplicidade de nomes na direita seria vantajosa para garantir a coesão do grupo em um eventual segundo turno.
Tendo renunciado ao cargo há 14 dias para focar na campanha nacional, Zema transferiu o comando de Minas Gerais para Mateus Simões (PSD), seu escolhido para a sucessão estadual. "Ele foi meu braço direito, extremamente competente, mas ainda desconhecido por boa parte dos mineiros", justificou.
Elevando o tom contra a cúpula do Poder Judiciário, o pré-candidato classificou a atuação de magistrados como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli como infrações que extrapolam o afastamento político. "É motivo para ir para a cadeia", disparou. Zema sugeriu ainda uma alteração legislativa para criar o crime de traição à pátria para funcionários públicos que exorbitem de suas atribuições.
Caso chegue à presidência, Zema planeja uma reestruturação profunda da máquina estatal:
Reforma Administrativa: Implementação de estatutos distintos para futuros concursados.
Enxugamento do Estado: Corte drástico no número de pastas ministeriais, hoje em 39.
Previdência com Automação: Mudança no sistema de aposentadorias para que o tempo de serviço acompanhe a longevidade da população. "A expectativa de vida subiu três meses? A contribuição sobe três meses", detalhou.
Ao se comparar com Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (PSD), Zema reivindicou para si o posto de crítico mais contundente do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando seus oponentes internos de omissão. "Alguém ficar calado com essa pouca vergonha lá em Brasília, para mim é um absurdo", concluiu, marcando território frente aos demais nomes do campo conservador.