Investigação da PF liga MC Ryan SP à rede que movimentou toneladas de cocaína

A magnitude do esquema levou o magistrado, Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, a decretar o congelamento de até R$ 2,2 bilhões em ativos de 77 suspeitos

16/04/2026 às 11h17 Atualizada em 16/04/2026 às 11h20
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
MC Ryan SP - Reprodução: Taba Benedicto/Estadão
MC Ryan SP - Reprodução: Taba Benedicto/Estadão

Na quarta-feira (15), o funkeiro MC Ryan SP foi preso pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Narco Fluxo. A tese dos investigadores sustenta que o tráfico de cocaína serviu como um dos pilares de financiamento para uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao músico.

O inquérito sugere que Ryan utilizava empresas do mercado musical e sua vasta influência digital para camuflar ativos ilícitos. O "mix" financeiro envolveria ganhos com o narcotráfico, sorteios virtuais e apostas sem regulamentação. Além disso, as autoridades apuram um elo logístico e estrutural do grupo com a facção criminosa PCC.

A magnitude do esquema levou o magistrado, Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, a decretar o congelamento de até R$ 2,2 bilhões em ativos de 77 suspeitos. De acordo com a sentença:

"[...] o montante foi estimado a partir do suposto lucro obtido com o tráfico de mais de três toneladas de cocaína, além das movimentações financeiras atribuídas aos alvos da investigação".

Essa ofensiva é o amadurecimento de investigações iniciadas nas operações Narco Vela, em abril de 2025, e Narco Bet, de janeiro de 2026, que consolidaram as provas sobre a engenharia financeira do grupo.

Blindagem de Imagem e Ocultação de Bens

Apontado como peça-chave no esquema, MC Ryan SP teria transformado o dinheiro "sujo" em patrimônio tangível: residências de alto padrão, automóveis esportivos e joalheria de luxo.

Para sustentar a fachada, o artista teria recrutado gestores de crise e profissionais de mídia para inundar as redes com publicidade positiva e promover casas de apostas. Paralelamente, a PF detectou a transferência de cotas societárias para parentes e “laranjas”, visando proteger os bens de eventuais apreensões.

O coração da movimentação financeira batia dentro da Golden Cat Processamento de Pagamentos, uma fintech fundada em 2023 em São Bernardo do Campo. Sem o aval do Banco Central para operar, a firma é acusada de ser o duto por onde escorriam centenas de milhões de reais.

O juiz, Santos Filho, autorizou a ação atual enfatizando que a empresa servia para pulverizar os recursos dentro da organização. Ao todo, a Justiça expediu 45 ordens de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária.

O Eixo Central de R$ 260 Bilhões

Sob o comando de Xizhangpeng Hao, a Golden Cat é descrita como a engrenagem mestre da estrutura. Os investigadores estimam que a capacidade de processamento do grupo possa ter ultrapassado a barreira dos R$ 260 bilhões.

A mecânica funcionava assim: a fintech centralizava a arrecadação das apostas clandestinas e, após circular os valores pela plataforma, realizava a evasão de divisas, enviando montantes para o exterior ou redistribuindo-os entre empresas do consórcio investigado.

 Além das figuras públicas, a Justiça Federal ordenou o encarceramento temporário dos gestores da fintech: Xizhangpeng Hao, Sun Chunyang e Jiawei Lin.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários