
Pablo Marçal, filiado ao União Brasil, defendeu a tese de que a única via possível para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2026, seria um novo embate direto contra Jair Bolsonaro. Para o empresário, a sentença de mais de 27 anos de reclusão imposta ao ex-capitão por tentativa de golpe de Estado, selada no fim de 2025, comprometeu sua força eleitoral, favorecendo o petista em um possível confronto.
Ao analisar o impacto da decisão judicial na percepção popular, Marçal destacou ao portal Metrópoles:
“O desgaste, a fragilização da imagem. A questão da condenação é muito forte. O brasileiro não entra no detalhe. Ele não quer saber nem pelo que foi condenado. Óbvio que quem é de direita, raiz, os caras sabem que estão cometendo injustiça com o Bolsonaro”.
O empresário levantou a hipótese de que o próprio Lula poderia se movimentar nos bastidores para viabilizar a liberdade de seu rival. A lógica seria reverter a inelegibilidade de Bolsonaro (prevista até 2030) para que ele retomasse o posto de cabeça de chapa, hoje ocupado por seu primogênito, Flávio Bolsonaro, pré-candidato oficial do PL.
“Agora, o Bolsonaro está fragilizado. Eu vou te falar o que eu vejo: eu vejo uma ligação do presidente Lula articulando para soltar Bolsonaro. Para tirar a domiciliar dele. Eu explico por quê. A única chance do Lula ganhar é contra o seu principal algoz”, sugeriu Marçal.
Na visão do ex-candidato à prefeitura de São Paulo, o atual panorama, que coloca Flávio e Lula em embate direto no segundo turno, é desfavorável ao governo atual. Segundo ele, o herdeiro político da família Bolsonaro possui vantagem competitiva sobre o petista.
“Do Flávio, ele [Lula] não ganha. O difícil é ganhar do Flávio. O Flávio tem que fazer alguma besteira muito grande para perder a eleição por Lula”, pontuou.
Para sustentar sua análise, Marçal relembrou o fenômeno ocorrido no pleito anterior, quando o atual mandatário saiu da prisão diretamente para a liderança das intenções de voto.
“[Em 2022] Lula estava na cadeia com 40% dos votos. Lula foi solto, passou o carro e levou a eleição. Ele ia levar no 1º turno. Eu estava na campanha do Bolsonaro e ele [Lula] ia levar no 1º turno”, finalizou.