
A participação de William Bonner no Troféu Imprensa, exibido pelo SBT, acabou virando um dos momentos mais comentados da noite. Pela primeira vez no palco da premiação, o jornalista não só celebrou a trajetória como abriu o jogo sobre sua saída do Jornal Nacional.
Hoje à frente do Globo Repórter, Bonner recebeu 33 estatuetas conquistadas ao longo dos anos e confessou ter se emocionado com a experiência:
Eu tenho 62 anos, mas sempre acompanhei o Troféu Imprensa desde criança, que é um prêmio generoso, que premia talentos, profissionais de outras emissoras, então estou muito honrado.
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O jornalista também revelou que ficou nervoso como há muito tempo não se sentia. “Fazia tempo que eu não ficava nervoso assim, a última vez foi quando eu anunciei a minha saída do Jornal Nacional, em 1ª de setembro do ano passado. Depois não, na troca de bastão com o Cesar Tralli eu estava tenso, mas não no mesmo nível. Aqui é muito diferente. Estar num estúdio como esse, com plateia (é muito diferente)”, completou.
Ao relembrar os bastidores da decisão, Bonner foi direto ao negar qualquer saudade do antigo posto. “Não, não tenho saudade, porque a minha decisão de deixar o Jornal Nacional têm seis anos. Exatos seis anos”, afirmou. Segundo ele, o momento da saída precisou ser adiado por conta da pandemia e da necessidade de preparar sucessores. “Ao longo dos anos, o Cesar Tralli emergiu muito naturalmente, inundando a televisão de talento. O Brasil deu a ele essa posição de sucessor para ocupar o Jornal Nacional. Então, não teve a lágrima, não teve saudade”.
Mas foi ao falar da vida pessoal que o tom mudou. Visivelmente emocionado, o jornalista revelou o que realmente pesou na decisão. “Tive um filho, dos trigêmeos, que foi morar no exterior e isso foi um baque… Eu tô embargando a voz, mas eu vou sair dessa”, disse. “E quando ele saiu eu pensei: ‘eu só vou ver meu filho quando ele voltar ou eu tiver a oportunidade de ir. E eu faço um programa diário, como eu faço, tenho que marcar férias’. E esse evento foi um catalisador fortíssimo, porque depois outra filha também foi morar no exterior. Isso muda a perspectiva das coisas”.
Bonner ainda refletiu sobre o peso de ter se tornado um símbolo do jornalismo da TV Globo:
Por muito tempo, eu já não era uma pessoa na rua, eu era um avatar. Eu simbolizava muita coisa, como um de seus apresentadores, e também o jornalismo da Globo. E quando você se transforma quase que em um avatar, você está sujeito aos extremos, ao carinho e ao ódio. E eu experimentei as duas coisas ao longo dos anos.
Na nova fase, ele garante estar motivado com o trabalho mais próximo das pessoas. “Quando migrei pro Globo Repórter, eu pedi pra direção de jornalismo que o meu primeiro trabalho como repórter fosse com brasileiros, aqui no Brasil”, contou. “Queria ter a experiência de contar a história dessas pessoas, queria muito experimentar isso, olho no olho”.