
Dados armazenados em nuvem foram o que permitiu à Polícia Federal (PF) desvendar uma estrutura financeira colossal. A ofensiva culminou na prisão de figuras nacionalmente conhecidas pelo público, incluindo os artistas MC Ryan SP e MC Poze, bem como criadores de conteúdo e magnatas do setor privado.
De acordo com os investigadores, o acesso em arquivos virtuais durante a Operação Narco Fluxo expôs transações atípicas vinculadas a Rodrigo de Paula Morgado, indicado como o provável gestor contábil da organização.
O Poder Judiciário concedeu permissão para que as gigantes de tecnologia, Apple e Google, liberassem a entrada nos perfis de iCloud e Google Drive dos investigados. Essa incursão nos dados foi o que viabilizou o desmonte de uma rede bilionária voltada à lavagem de dinheiro e evasão de divisas com ramificações no entretenimento e nas redes sociais.
A PF detalhou que as cópias de segurança de dados operavam como um legítimo “mapa” da quadrilha. Ali, estavam centralizados extratos bancários, contratos, procurações, comprovantes de transferências, conversas e registros empresariais.
O exame minucioso dos arquivos trouxe à tona uma sofisticada logística para lavagem de dinheiro. O grupo utilizava táticas como depósitos fragmentados, contas intermediárias, companhias de fachada, interpostos (laranjas) e ativos digitais. Além disso, a popularidade de celebridades era explorada para impulsionar sorteios e plataformas de apostas (bets) sem autorização legal.
Conforme apontado pelas autoridades, o bando funcionava de modo análogo a um banco paralelo, dispondo de métodos internos de gestão e partilha de montantes.
A ação Narco Fluxo, iniciada pela PF na quarta-feira (15), visa aniquilar consórcios criminosos que movimentaram valores superiores a R$ 1,6 bilhão em operações ilícitas. No rol de capturados aparecem MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de nomes como Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei.
O inquérito prossegue e novas investidas não são descartadas. Os detidos podem ser indiciados por associação criminosa, além de crimes contra lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A investida policial estendeu-se por oito estados e 20 de cidades, mobilizando 45 ordens de busca e apreensão e 39 ordens de prisão provisória. Para estancar o fluxo de capitais e garantir futuras reparações, a PF determinou o confisco de propriedades e o bloqueio de participações em empresas.
Durante as investigações, foram confiscados carros de luxo, dinheiro em espécie, além de telefones móveis e papéis que servirão de base para a continuidade das diligências.