
Registros de conversas via WhatsApp examinados pela Polícia Federal (PF) expõem a estreita ligação entre Paulo Henrique Costa, que comandava o Banco Regional de Brasília (BRB), e o investidor Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Os diálogos indicam que Vorcaro se referia a Paulo Henrique como “amigo”, enquanto o ex-gestor da instituição estatal sinalizava grande empolgação com o vínculo estabelecido entre ambos.
Ao analisar o material, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltou a existência de “fortes indícios” de que Paulo Henrique operava como um “verdadeiro mandatário” dos interesses de Vorcaro.
A decisão judicial sugere que a presidência do BRB teria sido utilizada para garantir a estabilidade financeira e o fluxo de caixa do Banco Master. Como contrapartida, o ex-dirigente teria embolsado aproximadamente R$ 146,5 milhões, valor convertido na posse de seis propriedades de alto padrão.
Nas conversas, Paulo Henrique expressa gratidão após um encontro e projeta o futuro da colaboração:
“Amigo, obrigado pela conversa de hoje. A cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir”.
O ex-presidente também citou um “alinhamento pessoal” ao debater manobras que envolviam o empreendimento, abrangendo desde esferas políticas até a organização interna do negócio.
Trechos das mensagens detalham a seleção de residências luxuosas que, de acordo com o inquérito, seriam o meio de viabilizar o recebimento de propinas. Em um dos momentos, ao planejar uma inspeção com sua esposa, Paulo Henrique comentou: “Seria legal mostrar o apartamento para ela”.
Posteriormente, ele relatou certa hesitação da mulher:
“A esposa ainda está meio cismada. Seria ótimo olhar outro para construir uma referência”.
Em resposta, Vorcaro prontificou-se a apresentar outras unidades, mencionando inclusive uma cobertura. A PF também identificou mensagens sobre a engenharia financeira das aquisições: “Fiz as contas para chegar no valor que combinamos”, registrou o então chefe do BRB.
Para além das casas, a dupla discutia o manejo de recursos entre os bancos. Quando Vorcaro apontava um “gargalo” operacional, Paulo Henrique assegurava que acionaria seus subordinados para desenhar saídas focadas em carteiras de empréstimos.
Essas evidências fundamentam a Operação Compliance Zero, que foca em crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e corrupção. Paulo Henrique Costa foi detido nessa quinta-feira (16). Na mesma ação, seu advogado, Daniel Monteiro, também foi preso, suspeito de arquitetar a passagem dos imóveis para o nome de empresas laranjas.