Novos áudios complicam situação de MC Ryan, preso pela PF: “Na época do Tigrinho tava bom”

Investigação aponta uso de rifas ilegais, apostas e fragmentação de valores para ocultar dinheiro, enquanto defesa nega envolvimento dos artistas

20/04/2026 às 10h10
Por: Mateus Pereira
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Foto: redes sociais
Foto: redes sociais

O desdobramento da Operação Narcofluxo, conduzida pela Polícia Federal, colocou os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo no centro de uma investigação que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro. A movimentação atribuída ao grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão e, agora, novos áudios divulgados ampliaram ainda mais a pressão sobre os envolvidos.

Segundo a investigação, a estrutura funcionaria a partir da exploração de rifas ilegais e jogos de azar, que serviriam para mascarar a origem dos valores. O dinheiro era misturado ao faturamento legítimo dos artistas, vindo de shows e publicidade, dificultando o rastreamento por órgãos de controle.

Um dos métodos destacados pela Polícia Federal chama atenção pelo volume e pela estratégia. Para evitar suspeitas, grandes quantias eram fragmentadas em transferências menores. Em um dos exemplos citados, cerca de R$ 5 milhões teriam sido pulverizados em aproximadamente 500 depósitos de R$ 10 mil.

De acordo com o delegado Roberto Costa da Silva, os artistas teriam papel relevante dentro do esquema. Além de disponibilizarem suas contas para a circulação dos valores, a visibilidade nas redes sociais funcionaria como ferramenta para atrair novos participantes e ampliar o fluxo financeiro.

Os áudios obtidos pela investigação, divulgados pelo programa “Fantástico”, da Globo, colocam MC Ryan SP em conversas diretas com o contador Rodrigo Morgado, apontado como o responsável pela engenharia financeira da operação. Em um dos trechos, o cantor menciona ganhos expressivos com plataformas de apostas. “Na época do Tigrinho tava bom mesmo, eu tava arregaçando”, diz.

Outras gravações também indicam negociações de cachês elevados, chegando à casa dos R$ 400 mil, para divulgação de casas de apostas, o que reforça a linha de investigação sobre a ligação entre entretenimento digital e movimentações financeiras suspeitas.

Apesar do avanço das apurações, as defesas dos artistas rebatem as acusações. Os advogados de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo negam qualquer participação em atividades ilegais e afirmam que todo o patrimônio dos músicos é resultado de suas carreiras consolidadas na música e no marketing digital.

O caso segue em investigação e promete novos desdobramentos, enquanto a repercussão cresce dentro e fora das redes sociais.

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