
O governo brasileiro avalia com rigor uma retaliação diplomática contra Washington que ameaça desestabilizar os laços bilaterais. De acordo com apuração da CNN, o Executivo pondera a expulsão de agentes dos norte-americanos que atuam em solo nacional. Tal articulação surge como resposta à exigência dos Estados Unidos para que Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal (PF), abandone o país.
Ivo coordenou a vigilância que resultou na detenção de Alexandre Ramagem, antigo chefe da Abin, em solo americano. O conflito atingiu um novo patamar após autoridades dos EUA sugerirem, via redes sociais, que não tolerariam estrangeiros que manipulam seu sistema de imigração para “perseguições políticas”, omitindo, contudo, qualquer justificativa oficial aos canais diplomáticos brasileiros.
O episódio gerou perplexidade em Brasília, visto que a atuação conjunta entre a PF e órgãos americanos é regida por um pacto de assistência mútua atualizado no ano passado. Interlocutores diplomáticos indicam que, embora o Brasil tenha cobrado explicações, o silêncio detalhado de Washington motiva o Planalto a adotar uma postura mais severa.
Antes de encerrar sua agenda na Alemanha nesta terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou a temperatura do debate. O petista foi enfático ao declarar que a soberania nacional será preservada diante de arbitrariedades.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, sentenciou o chefe de Estado.
O caso gravita em torno da lei da reciprocidade, regra de ouro nas relações internacionais que exige isonomia de tratamento. Se os EUA não recuarem ou não fundamentarem o suposto desvio de conduta do delegado brasileiro, a expulsão de oficiais americanos do Brasil torna-se iminente.
Analistas do setor diplomático classificaram as declarações do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA como “agressiva” e “incomum”, especialmente pela insinuação de que o delegado teria tentado burlar trâmites de extradição. A carência de uma comunicação formal robustece o argumento de que o Brasil deve reagir com o mesmo rigor.
Observadores internacionais alertam para a fragilidade do momento, que coloca em risco parcerias em segurança e investigações de alto nível. Enquanto os advogados de Ramagem sustentam a tese de caça às bruxas, o Planalto reitera a honestidade das diligências da PF em terras estrangeiras.
O Itamaraty mantém a prudência, embora sofra pressão para oferecer uma réplica proporcional. A exclusão de agentes americanos representaria um rompimento drástico, raro na história recente entre as duas nações. Agora, a bola está com o Departamento de Estado americano: a continuidade do silêncio transformará a advertência de Lula em fato consumado, redesenhando a cooperação policial para 2026.