
No início desta quinta-feira (23), o Judiciário Federal deferiu um pedido de liberdade coletiva aos detidos na Operação Narco Fluxo. A sentença, proferida pelo ministro Messod Azulay Neto, assegura que Raphael Sousa Oliveira, administrador da página “Choquei“, seja colocado em liberdade. A medida estende-se igualmente aos músicos MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.
Ao analisar o caso, o magistrado identificou uma “flagrante ilegalidade” no veredito da 5ª Vara Federal de Santos, que havia estabelecido a custódia temporária. Segundo o ministro, “Especialmente porque a própria representação da autoridade policial limitou-se ao prazo de cinco dias, assiste razão à defesa, devendo a medida extrema ser restringida ao período por ela requerido, qual seja, cinco dias”.
Raphael Sousa Oliveira foi detido pela Polícia Federal (PF) em 15 de abril. Ele é peça central em um inquérito que apura um esquema de lavagem de dinheiro com cifras que superam R$ 1,6 bilhão. No mesmo desdobramento, os funkeiros Poze do Rodo e MC Ryan SP foram presos, além do influenciador Chrys Dias, também listado como investigado.
As autoridades detalham que a organização operava uma rede complexa para camuflar ativos, utilizando:
Pessoas jurídicas e laranjas;
Negociações com ativos digitais (criptomoedas);
Remessas internacionais e movimentação de vultosas quantias em espécie.
A magnitude financeira do grupo sob suspeita é alarmante, com estimativas da PF indicando um tráfego de capital superior a R$ 260 bilhões. Durante as diligências, além de armamentos e veículos de luxo, foram confiscados aparelhos eletrônicos e arquivos que servirão de base para as próximas etapas da apuração.
| Detalhes da Ação Judicial | Impacto Financeiro e Justificativa |
| Bloqueio de Bens | O montante congelado chega a R$ 2,2 bilhões apenas em ativos vinculados ao MC Ryan SP. |
| Escopo das Sanções | 77 entidades (entre civis e empresas) sofreram restrições patrimoniais severas. |
| Fundamentação do Lucro | O cálculo judicial baseou-se no “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“. |
Além do sequestro de propriedades e limitações societárias para estancar a atividade delituosa, os envolvidos seguem sob a mira da lei. Eles podem ser indiciados por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. As investigações permanecem em curso para mapear toda a extensão da rede criminosa.