
O Partido Liberal (PL) estuda colocar o deputado Eduardo Bolsonaro no posto de suplente para a disputa ao Senado por São Paulo. Segundo a Folha de S. Paulo, a manobra combina engenharia jurídica e tática política para robustecer o grupo bolsonarista no maior colégio eleitoral do país, enquanto o partido ainda ajusta os ponteiros internos para o pleito.
A ideia é que o filho "03" do ex-presidente, Jair Bolsonaro, componha a chapa encabeçada por André do Prado (PL), atual comandante da Assembleia Legislativa paulista. Todavia, o anúncio oficial permanece em espera devido aos questionamentos sobre a viabilidade legal da candidatura.
O principal nó cego para a cúpula do PL reside na localização atual de Eduardo, que reside no exterior. Embora o corpo técnico da legenda entenda que o afastamento físico do território nacional não seja um impedimento legal para concorrer, há um temor de que o Judiciário adote uma postura mais rígida.
O partido receia que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possa aplicar uma leitura diferenciada da norma, motivada pelo atual termômetro político, o que tem freado a formalização do acordo.
A entrada de Eduardo como suplente não é apenas simbólica, mas fruto de uma negociação direta. A apuração indica que o apoio do deputado ao nome de André do Prado foi amarrado a essa participação na chapa.
No início das conversas, Eduardo preferia aliados de perfil mais ideológico, como Gil Diniz ou Mário Frias. Contudo, houve um recuo em favor de Prado, visto pela legenda como um nome mais palatável ao eleitorado de centro e com trânsito facilitado entre diversas alas políticas.
A estratégia de colocar o presidente da ALESP como protagonista visa atrair o "chão de fábrica" da política paulista. Em entrevista ao Painel, Prado destacou o potencial de sua candidatura para fortalecer o atual governo estadual:
“A gente pode agregar bastante neste momento a chapa do governador Tarcísio [de Freitas], trazendo a classe política, os prefeitos, os vereadores para mais próximo”.
Valdemar da Costa Neto, líder do PL, e Eduardo Bolsonaro estabeleceram um teto para as definições: o lançamento de Prado ao Senado deve ocorrer até o começo de maio. Já a confirmação da suplência de Eduardo dependerá do sinal verde dos advogados do partido e da pacificação total das alas internas.