
O Comitê de Apropriações da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentou um relatório orçamentário para 2027 que recomenda o bloqueio total de recursos destinados à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O documento expressa uma "profunda preocupação" com o papel da entidade na intermediação do programa brasileiro Mais Médicos, classificando a movimentação de profissionais cubanos como "tráfico de pessoal médico". A proposta, impulsionada pela maioria republicana, exige que a organização publique todos os seus registros financeiros e contratos para provar que as normas trabalhistas internacionais foram respeitadas.
Além da prestação de contas, os congressistas norte-americanos condicionam o retorno dos repasses financeiros à cooperação da OPAS em litígios que tramitam nos tribunais dos EUA sob a Lei de Proteção às Vítimas de Tráfico. O comitê defende que a instituição deve assumir a responsabilidade pelo pagamento de eventuais indenizações judiciais a profissionais que se sentiram lesados pelo modelo de contratação. O texto reflete a postura da ala aliada a Donald Trump, que busca fiscalizar rigorosamente agências internacionais que facilitaram programas governamentais das gestões Dilma Rousseff e Lula.
O programa Mais Médicos, foco da controvérsia, foi criado em 2013 com o objetivo de suprir a carência de profissionais de saúde em regiões isoladas e periferias do Brasil. Através de um acordo tripartite, a OPAS atuava como ponte entre o governo brasileiro e Cuba, recebendo os repasses financeiros e transferindo apenas uma parte dos valores aos médicos, enquanto a maior parcela era retida pelo governo cubano. Essa estrutura de pagamento é o ponto central das acusações de exploração trabalhista levantadas pelos parlamentares dos Estados Unidos, que agora buscam responsabilizar a organização internacional por seu papel de facilitadora no programa.