“Está sem caixa”: finanças de SP viram gatilho entre Haddad e Tarcísio em pré-campanha

Enquanto o governador historicamente critica a União pelo excesso de despesas, Haddad, agora fora do ministério, redirecionou seus ataques para a saúde fiscal paulista, um movimento que tem gerado forte irritação na equipe de Tarcísio

04/05/2026 às 10h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad - Reprodução: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad - Reprodução: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A gestão das finanças públicas tornou-se o epicentro de um embate estratégico entre o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o atual mandatário do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visando a sucessão estadual.

Enquanto o governador historicamente critica a União pelo excesso de despesas, Haddad, agora fora do ministério, redirecionou seus ataques para a saúde fiscal paulista, um movimento que tem gerado forte irritação na equipe de Tarcísio.

A controvérsia ganhou fôlego com a revelação de que as reservas financeiras do estado diminuíram sob a atual tutela. Em declaração ao Metrópoles, Haddad disparou:

“Se não fosse a renegociação da dívida que eu conduzi junto com o Rodrigo Pacheco (PSB), que era presidente do Congresso, São Paulo acho que não fechava o mandato dele. São Paulo está sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa. E ele não tem dinheiro hoje. Vendendo a Sabesp, aumentando a conta de água, renegociando a dívida. Se não fosse isso, São Paulo estaria ainda pior“.

Estatísticas indicam que o montante livre no Tesouro estadual despencou de R$ 52,9 bilhões em 2022 para R$ 26,7 bilhões no último ano, uma retração de 41,5%. Somado a isso, 2024 registrou um saldo orçamentário negativo de R$ 12,2 bilhões.

Reação e Contra-ataque

O governo paulista agiu rápido para contestar os números, apresentando uma métrica alternativa: considerando as disponibilidades após obrigações a pagar, a queda seria de apenas R$ 1 bilhão. Contudo, ao filtrar apenas a verba sem destinação específica, o tombo é nítido: de R$ 19,5 bilhões para R$ 5,9 bilhões.

A gestão Tarcísio não poupou críticas ao desempenho de Haddad na Fazenda:

“Diversamente à gestão do ex-ministro, que acumulou déficits históricos, o governo de São Paulo apresentou superávits primários em todos os anos. Sobre a renegociação da dívida, a gestão do ex-ministro Haddad criou todo tipo de dificuldade à adesão de São Paulo ao Propag [Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados], e até hoje se recusa a assinar o termo aditivo, o que forçou o Estado a acionar a União no Supremo Tribunal Federal”.

No balanço nominal, o Governo sob Lula opera no vermelho constantemente. Tarcísio oscilou entre déficits e equilíbrio, este último garantido em 2024 apenas pela privatização da Sabesp, mas assegurou superávit primário nos três anos de mandato.

Para o governador, o calcanhar de Aquiles do governo federal é a voracidade arrecadatória. No ano passado, ele foi enfático:

“A gente aqui está fazendo o dever de casa. Olha o exemplo que está vindo de lá: governo gastando muito, inflação sobe, taxa de juros sobe, país desacelera, arrecadação cai. E aí qual é o exercício que tem que ser feito? Economizar despesa, cortar custo. E o que estão fazendo? Aumentando imposto”.

Dados do Tesouro Nacional corroboram a tese, mostrando que a carga tributária federal atingiu 32,4% do PIB, recorde desde 2010.

A tática de Tarcísio é rotular o adversário como “Taxad“. Já Haddad planeja ressignificar o apelido, ligando-o à defesa da justiça social e à tributação de grandes fortunas, bancos e apostas esportivas (as "bets"). No campo internacional, o petista critica o alinhamento de Tarcísio a Donald Trump, alegando que o protecionismo americano freou o PIB paulista (0,5%) em comparação ao nacional (2,3%).

Paternidade de Obras e Repasses

A origem dos recursos para infraestrutura é outro foco de conflito. O PT afirma que o metrô e as estradas de SP dependem da União. O lado de Tarcísio minimiza, dizendo que o governo federal apenas cumpre o papel do BNDES ao conceder empréstimos. Haddad retruca lembrando que Jair Bolsonaro costumava travar verbas para São Paulo na era Doria.

Recentemente, Tarcísio suavizou o tom após cobranças de Lula por gratidão. O governador admitiu a existência de parcerias e defendeu que é necessário “diminuir o conflito” entre as esferas de poder.

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