Possível aliança entre Moraes e Alcolumbre para barrar Messias do STF reacende conflito na Corte

Interlocutores da campanha de Messias asseguram que Moraes tinha plena ciência das manobras de Alcolumbre para sabotar a indicação de Lula

04/05/2026 às 12h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Folha de São Paulo
Compartilhe:
Davi Alcolumbre, Alexandre de Moraes e Jorge Messias - Reprodução: Pedro Ladeira/Folhapress / Lula Marques/Agência Brasil
Davi Alcolumbre, Alexandre de Moraes e Jorge Messias - Reprodução: Pedro Ladeira/Folhapress / Lula Marques/Agência Brasil

Membros da cúpula do Judiciário acreditam que o magistrado, Alexandre de Moraes, e o comandante do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), selaram um pacto estratégico para inviabilizar o ingresso de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF).

Essa percepção de um esforço coordenado não emana apenas de juízes próximos a André Mendonça, o maior entusiasta da candidatura de Messias no Congresso, mas também de ministros que, até então, figuravam como parceiros habituais de Moraes na Corte. O naufrágio dessa nomeação gerou um racha doméstico e possui potencial para reorganizar o equilíbrio de poder no tribunal.

De acordo com informações obtidas pela Folha de S.Paulo, Moraes evitou uma ofensiva direta contra Messias, porém permitiu que sua desconfiança quanto ao nome chegasse aos parlamentares por meio de pontes políticas, sendo Alcolumbre o principal elo. Ambos estiveram juntos em dois jantares na última semana: um na residência de Cristiano Zanin e outro, na antevéspera da sabatina de Messias, na própria casa de Moraes.

Interlocutores da campanha de Messias asseguram que Moraes tinha plena ciência das manobras de Alcolumbre para sabotar a indicação de Lula. Inclusive, compartilhavam o mesmo levantamento detalhado de intenções de voto. Aqueles que se empenharam pela aprovação do Advogado-Geral da União interpretaram a postura de Moraes como uma quebra de confiança.

No entorno de Mendonça e Kassio Nunes Marques, a tese é que Moraes barrou Messias para evitar que ele fortalecesse o bloco do relator do processo envolvendo o Banco Master, o que daria maioria a esse grupo específico. Além disso, a parceria com Alcolumbre seria um movimento defensivo de Moraes para garantir que o presidente do Senado mantenha engavetados eventuais requerimentos de destituição contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Moraes e Dias Toffoli encontram-se em um momento de fragilidade perante o público e o parlamento, sob o escrutínio de supostos vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, que busca uma delação premiada. Curiosamente, Toffoli, embora pertença à ala de Moraes no dia a dia do tribunal, apoiava Messias e demonstrou pesar com o resultado negativo.

Questionados sobre o tema, Moraes e a assessoria do STF não emitiram resposta oficial. Em conversas privadas, o ministro sustenta que não solicitou votos desfavoráveis ao indicado.

Para além do eixo Moraes-Alcolumbre, a análise interna no Supremo é de que o prestígio dos ministros que apadrinharam Messias foi superestimado. Causou estranheza o fato de Mendonça, mesmo controlando processos sensíveis como os do Master e do INSS, não ter conseguido atrair o apoio da ala oposicionista no Senado. Soma-se a isso o desgaste provocado por reprimendas recentes de Gilmar Mendes a parlamentares, o que teria minado a capacidade do decano de mediar o diálogo entre as instituições.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários