
O chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), classificou como um “ato de covardia” a postura do aspirante ao Planalto, Romeu Zema (Novo-MG), em relação ao trabalho infantil. Através de suas redes sociais, Boulos subiu o tom das críticas ao afirmar: “Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema”.
A polêmica ganhou força após o político mineiro sugerir que, se assumir a presidência em 2026, pretende flexibilizar as normas trabalhistas brasileiras para que indivíduos mais novos possam ingressar no mercado de trabalho. Hoje, a legislação impõe 16 anos como idade mínima, permitindo exceções para menores aprendizes a partir dos 14 anos.
Em sua fala inicial, Zema gerou desconforto ao empregar a palavra “criança” para sustentar sua tese. Embora tenha tentado suavizar a repercussão trocando o termo por “adolescente” em um registro posterior, ele manteve a essência de seu argumento. No feriado de 1.º de maio, ele declarou: “Quando eu era criança, era permitido tirar uma carteira de trabalho aos 14 anos. Infelizmente, no Brasil se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, que estão ao alcance dela”.
Relembrando sua própria trajetória, o ex-gestor de Minas Gerais mencionou que auxiliava o pai em tarefas manuais e criticou a visão progressista sobre o tema. “A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos cents por jornal entregue, no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. Mas tenho certeza que nós vamos mudar isso aí”, pontuou Zema.
Posteriormente, via assessoria, o pré-candidato reforçou seu desejo de criar mais “oportunidades de trabalho” para o público juvenil. Ele defendeu que: “No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades, com proteção e sem atrapalhar a escola”. Para Zema, o emprego regular é uma ferramenta de construção de disciplina e um escudo para evitar que a juventude seja atraída pela criminalidade.